Em mais uma ação violenta em terras indígenas, o vaqueiro Marcos Antonio Pereira da Cruz foi morto em uma emboscada, durante uma operação de desintrusão no Pará, ordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A vítima havia sido contratada pelo Ibama para ajudar a retirar o gado da área invadida.
O vaqueiro foi atingido por tiros no pescoço por volta das 14 horas de ontem, quando o rebanho apreendido era conduzido por um caminho estreito, em meio à mata fechada. Segundo o Ibama, ele chegou a ser socorrido no local, mas não resistiu aos ferimentos.
Na véspera do assassinato, a equipe do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, acompanhou a retirada de 140 cabeças de gado de outro ponto da terra indígena. Um dos vaqueiros levou a câmera no peito para registrar a movimentação. O comboio é escoltado por agentes do Ibama, da Funai, da Agência de Defesa Agropecuária do Pará e por civis e militares.
A terra indígena Apyterewa, homologada desde 2007, abriga, segundo o IBGE, 1.380 indígenas do povo Parakanã, mas o território vinha sendo invadido principalmente para a criação de gado e o cultivo de cacau. Por conta dessas atividades ilegais, foi a área indígena mais desmatada no Brasil entre 2018 e 2022.
Em outubro de 2023, o governo federal retirou os não indígenas do território, em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou a desintrusão, ou retirada de invasores, de nove terras indígenas no Brasil.
Após a desintrusão, o desmatamento foi praticamente zerado e os indígenas começaram a reocupar as áreas liberadas, mas relatam que sofrem atentados constantemente.
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