Apesar de afetar cerca de 2,5 milhões de brasileiros, o transtorno do espectro autista (TEA) ainda impõe grandes barreiras no mercado de trabalho, especialmente na vida adulta.
Em Brasília, um fórum pioneiro discute como o poder público e as empresas podem se adaptar para garantir o direito à empregabilidade de jovens e adultos autistas.
Aline Campos é autista, assim como o filho. Ela virou escritora e ele virou personagem do livro que ela escreveu quando conseguiu adaptar suas habilidades dentro do Detran-DF, onde trabalha. Aline encontrou apoio na mudança de setor e na comunicação clara de sua chefia.
“A forma como ele que traz o conteúdo para eu desenvolver, né? Então, eu sou da criação e hoje eu posso estar trabalhando no núcleo que é de criação, que cria os programas educativos. Então, só o fato de eu estar na área que eu tenho o meu hiperfoco e o meu desempenho máximo, por si só, já traz uma adaptação”, conta a escritora e servidora pública.
Aline é uma das palestrantes do 1º Fórum da Empregabilidade para o Jovem e o Adulto Autista. A alta taxa de desemprego desse público, entre 78% e 85% dos adultos autistas, é um dos principais motivadores do encontro.
“Nós temos muito olhar para criança autista, né? E quando ele cresce, o que que acontece com autista? Parece que ele desaparece. E, na verdade, ele não desaparece. 80% dos autistas estão desempregados”, afirma Thomas Strauss, idealizador do fórum.
Para reverter esse quadro, é fundamental que as empresas e órgãos públicos promovam acessibilidade. Em empresas que investem nesse preparo, a taxa de retenção desses profissionais chega a mais de 90% após um ano. Esse é o trabalho de Marcelo Vitoriano, presidente no Brasil de uma ONG que está em 26 países e ajudou a empregar cerca de 10 mil autistas.
“Quando a gente fala o que as empresas precisam para se preparar, é capacitando os seus colaboradores sobre esse tema, para que as pessoas possam entender as caracteríticas desse novo colaborador. Ela precisa estar num espaço onde as questões sensoriais são olhadas, se é um espaço mais luminoso, se é um espaço que tem mais barulho, o que que essa pessoa necessita para trabalhar”, explica Marcelo Vitoriano, presidente da Specialisterne Brasil.
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