2025 foi um ano em que o debate sobre segurança pública esteve em todos os lugares. Descobrimos novas formas de ligações entre o crime organizado e redes de proteção legal. Vimos áreas dominadas por facções criminosas serem transformadas em zonas de guerra, com a população no meio do fogo cruzado. Discutimos os limites da ação policial, a orientação das políticas de segurança, o uso político de confrontos e, principalmente, a necessidade de investir em novas estratégias no ano que vem pela frente.
Em abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou um conjunto de regras para definir como deveriam ser feitas as operações nos morros do Rio de Janeiro. Um dos objetivos da ação, a ADPF das Favelas, era reduzir o número de mortes nas incursões.
Chacina no Rio
Mas, em 28 de outubro, no Rio de Janeiro, aconteceu a operação policial mais letal da história do estado. O objetivo era cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra integrantes do Comando Vermelho nos complexos da Penha e do Alemão. No dia seguinte, os resultados da tragédia foram expostos de forma dramática. Mais de 70 corpos, resgatados pelos próprios moradores, foram enfileirados na Penha. O saldo total de mortes da operação foi de 122 mortos, entre eles, cinco policiais. Os moradores denunciaram à nossa equipe abusos e execuções.
Dois meses antes, outra megaoperação adotou uma estratégia diferente, sem violência, mas com grande impacto no negócio do crime organizado. A Operação Carbono Oculto desarticulou um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis envolvendo o PCC. A ação, que envolveu Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público de São Paulo, tinha como estratégia asfixiar financeiramente a facção. Os criminosos usavam a estrutura de empresas de fachada, fundos de investimento e as chamadas fintechs para lavagem de dinheiro e fraude. O esquema envolvia toda a cadeia de comercialização dos combustíveis, desde a importação até o consumo final.
Facções + jogos
2025 foi também o ano em que foram reveladas relações diretas entre grandes facções criminosas e o mercado de apostas ilegais. Grupos como PCC, Comando Vermelho e lideranças do jogo do bicho estariam usando o dinheiro de atividades ilegais para financiar a operação de redes de apostas eletrônicas e gerar lucros com aparência de origem lícita.
Vários esquemas envolveram influenciadores digitais, que usavam sua gama de seguidores para lucrar com as atividades ilegais e acabaram presos.
Feminicídios
A violência esteve presente nas redes, nas ruas e dentro de casa. Mais de 1.000 mulheres foram mortas em 2025 apenas por serem mulheres. A onda de feminicídios resultou em uma mobilização nacional em dezembro, com milhares de pessoas nas ruas lutando por ações urgentes para evitar que mais vidas sejam interrompidas.
Violações de direitos
Nos presídios, violações sistemáticas de direitos e casos de calamidade levaram o STF a reconhecer, pela primeira vez, um estado de coisas inconstitucional. Em fevereiro, foi lançado o plano Pena Justa, para transformar o sistema penal e fazer com que as prisões se tornem instrumento de responsabilização e também de reintegração.
A PEC
Para enfrentar o problema da falta de segurança de forma ampla, o governo aposta na chamada PEC da Segurança Pública. O projeto sofreu com a resistência de parlamentares e governadores que temem uma perda de autonomia dos estados. Segundo a proposta, a elaboração do Plano Nacional de Segurança Pública ficaria a cargo da União para integrar as forças de segurança do país.
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