Uma pesquisa do Instituto Sou da Paz calculou os impactos da violência armada para o Sistema Único de Saúde. Só no ano passado, a União gastou R$ 42 milhões com atendimentos médicos de pessoas baleadas de forma intencional.
Esta é a terceira edição do estudo que mede o impacto da violência armada — classificada como violência por agressão e tentativa de homicídio — sobre o Sistema Único de Saúde. Para se ter uma ideia, o custo médio do tratamento de pacientes baleados é quase três vezes maior do que o gasto médio do SUS por pessoa. Além disso, o tratamento de vítimas de arma de fogo custa quase três vezes mais do que o atendimento de pessoas agredidas por outros meios.
A violência armada é uma das principais causas de morte no país e também uma das principais responsáveis pela redução dos anos de vida saudável da população. Esse impacto é maior entre homens jovens e negros, que são as principais vítimas. Mas há também mulheres entre as vítimas: entre mulheres jovens, a arma de fogo aparece como uma das principais causas de morte, muitas vezes por acidentes, com alto índice de letalidade.
A vítima de arma de fogo dificilmente sobrevive. E, quando sobrevive e chega ao hospital, gera custos elevados para o Sistema Único de Saúde. Nos últimos 10 anos, o Brasil gastou mais de meio bilhão de reais com internações de vítimas de armas de fogo. Esse valor considera apenas os gastos federais, já que não há dados consolidados de estados e municípios.
Ao longo da última década, houve uma redução geral no número de internações por ferimentos causados por armas de fogo. A exceção é a região Nordeste, que, nos últimos três anos, registrou aumento desses atendimentos.
O estudo também traçou o perfil das vítimas internadas: na maioria dos casos, são homens negros, com idade entre 20 e 29 anos.
O levantamento ainda comparou o que poderia ser feito na área da saúde com os R$ 42 milhões gastos apenas no último ano. Esse valor permitiria realizar mais de 42 milhões de testes de HIV, mais de 10 milhões de hemogramas completos, cerca de 77 mil cesarianas ou 74 mil sessões de quimioterapia para tratamento de câncer de mama.
Além do impacto financeiro para o SUS, quem vive em periferias e favelas sofre consequências ainda maiores. Segundo análise do Instituto Sou da Paz, os confrontos armados são mais frequentes nesses territórios, onde estão as unidades básicas de saúde que atendem essa população. Muitas vezes, essas unidades precisam fechar por causa do risco de tiroteios, e agentes de saúde ficam impedidos de circular pelas ruas e acessar as casas dos pacientes.
Segundo o instituto, trata-se de um duplo prejuízo. A arma de fogo é um instrumento altamente letal, e, diante dos altos índices de violência armada no país, é fundamental fortalecer as políticas de controle de armas, com registro, fiscalização das armas legais e maior capacidade de investigação e rastreamento das armas ilegais.
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