Um dado alarmante, que permanece o mesmo há quase duas décadas. O Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais e travestis no mundo. Em 2025, foram registrados 80 assassinatos, de acordo com dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Para pedir a mudança dessa realidade e o fim da violência, ativistas se reuniram no domingo (26), em Brasília, dentro das ações do Dia Nacional da Visibilidade Trans.
Apesar da queda de 34% no número de mortes em relação a 2024, quando foram registrados 122 óbitos, o dossiê aponta aumento nas tentativas de homicídio. O dado indica que a redução das mortes não representa, necessariamente, diminuição da violência.
“O que a gente está falando a todo instante são de tentativas de institucionalização da transfobia. E esses acenos vão dizendo que as nossas vidas não importam. De certa forma, autorizam as pessoas a cometer esse tipo de violência. E aí, não só os assassinatos, mas violações de direitos humanos, negação de acesso a espaços, negação do direito à minha identidade de gênero, um tratamento adequado de acordo com o gênero que eu me reconheço."
Conforme o levantamento, de 2017 a 2025, São Paulo ficou na liderança entre os estados que mais assassinaram pessoas trans e travestis, com 155 mortes. Na sequência, aparece o Ceará, com 115, seguido pela Bahia, com 104, Minas Gerais, com 100, Rio de Janeiro, com 96, e Pernambuco, com 83.
No último ano, o Nordeste foi a região mais violenta para pessoas trans, com 38 mortes. A maioria das vítimas eram mulheres jovens, travestis e trans, entre 18 e 35 anos, como a jovem Rihanna, assassinada em dezembro no interior da Bahia.
“O dado revela que você pode fazer e cometer qualquer tipo de atrocidade contra um corpo trans que você vai ficar impune. Inclusive, o número de casos que vem sendo punidos é baixíssimo, é inferior a 5%, que também é a média de resolução dos assassinatos. A grande questão é que a gente está no país que mais mata a juventude negra, o quinto país em feminicídio, e a comunidade trans não ia escapar dessas informações. Então, se reverte muito nos nossos dados o fato de que são mulheres trans e travestis, mais de 95% desses casos, ou seja, o gênero feminino dessas mulheres é um fator de risco."
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