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Caso Master: processo pode voltar à primeira instância, diz Toffoli

Repórter Brasil

No AR em 29/01/2026 - 19:00

Ministro Dias Toffoli, relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta quinta-feira (29), em nota oficial, que o processo pode ser enviado à primeira instância, mas apenas depois da conclusão do inquérito pela Polícia Federal.

E no final da tarde, a CPMI do INSS convocou o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal no inquérito que apura a fraude financeira do Banco Master. O anúncio foi feito em uma rede social pelo presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG).

A CPMI quer que Daniel Vorcaro explique os 250 mil empréstimos consignados que o Banco Master tinha em carteira e que foram suspensos pelo INSS por falta de comprovação de anuência, no caso, de autorização mesmo dos aposentados e pensionistas.

Então, isso tem relação direta com os descontos irregulares, que são o foco da investigação da comissão, e não com a liquidação do Banco Master. Mesmo assim, para depor na próxima quinta-feira (5), o ministro do Supremo, Dias Toffoli, tem que autorizar a ida do banqueiro ao Congresso, já que ele cumpre medida restritiva.

A nota de Dias Toffoli 

Em meio à pressão para deixar a relatoria do caso Master no Supremo, o ministro Dias Toffoli se defendeu publicamente e admitiu a possibilidade de enviar o processo para a primeira instância, mas só depois da conclusão das investigações, que foram prorrogadas por mais 60 dias.

Em nota, Toffoli disse que as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular, sem prejuízo da apuração dos fatos, mantidos os sigilos necessários em razão das diligências ainda em andamento. Também afirmou que a manutenção do caso no Supremo é para evitar questionamentos em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal.

No comunicado, Dias Toffoli não fez referência à acusação de que familiares dele teriam vendido participação de um resort no Paraná a um fundo ligado ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Também não mencionou decisões incomuns tomadas no curso do processo, como a ordem para que ficassem com o Supremo os celulares apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero.

Investigação interna no BC

O Banco Central confirmou, nesta quinta-feira (29), que abriu, em novembro, uma investigação interna para apurar eventuais falhas no processo de liquidação dentro da própria instituição. Em tese, o BC quer saber se houve demora para detectar as fraudes.

Em entrevista hoje ao jornal Metrópoles, Haddad confirmou um encontro ocorrido em dezembro de 2024 entre o presidente Lula e Daniel Vorcaro. Segundo Haddad, Lula afirmou ao banqueiro que as decisões sobre o Master seriam tomadas pelo Banco Central, de forma estritamente técnica. Problemas de liquidez do Master já existiam na época do encontro, mas Haddad disse que os indícios de crime só apareceram em 2025.

“Não houve diálogo do Banco Central com o Ministério da Fazenda, a não ser a partir da posse do Gabriel Galípolo. Aí, o Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do abacaxi que ele tinha para descascar, viu que a situação era muito grave. Em poucos meses, envolveu o Ministério Público e a Polícia Federal, porque havia suspeitas graves de fraude em carteiras. E quando você detecta uma fraude que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, aí não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de uma gestão, você está falando de crime”, destacou o ministro. 

Haddad também disse que é importante não politizar a questão. Sem citar nomes, ele fez referência ao empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro e alvo das investigações da Polícia Federal, que foi o maior doador das campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep), nas eleições de 2022.

“Na minha opinião, se politizar no mau sentido da palavra, ela beneficia o criminoso. Se você quer a verdade, se você quiser a verdade, e aí não importa de que igreja a pessoa é, de que partido a pessoa é, você vai lá e pune, pune. Não importa qual é a filiação da pessoa, você pune. Se você prejulgar pessoas por conta de um encontro, por conta de uma doação de campanha, se você prejulgar as pessoas, você não está fazendo o que se espera de um Estado democrático”, finalizou. 
 

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Criado em 29/01/2026 - 20:15

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