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Contradições marcam acareação de Vorcaro e ex-presidente do BRB

Repórter Brasil

No AR em 30/01/2026 - 19:00

Compras e empréstimos baseados em fraudes, empresas de fachada e créditos podres, ou seja, um dinheiro que simplesmente nunca existiu. A liberação, na quinta-feira (30), de uma parte dos depoimentos do caso do Banco Master jogou luz sobre mais um capítulo de uma das maiores fraudes da história do sistema financeiro do país. E, afinal, quais os motivos que levaram o Banco de Brasília a querer comprar um banco falido? A resposta para essa pergunta ficou ainda mais urgente depois da informação de que o Master, apesar de ter atingido R$ 80 bilhões em ativos, ficou, ao final do processo, com apenas R$ 4 milhões no caixa. 

Os depoimentos foram colhidos em dezembro do ano passado, mas só ontem foram liberados pelo Supremo. Na acareação, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, apresentam versões diferentes sobre a origem das carteiras de crédito fraudulentas adquiridas pelo BRB. 

A principal delas tem a ver com a Tirreno, uma empresa de fachada, segundo a Polícia Federal, criada em novembro de 2024 para prestar serviços de consultoria e intermediação financeira. A empresa gerou créditos sem valor, que o Master adquiriu sem pagar e depois repassou ao Banco de Brasília. Vorcaro afirma que o BRB sabia que parte dos créditos vendidos não tinha sido gerada pelo Master, e sim por terceiros. Já Paulo Henrique Costa negou a informação e disse que só soube da procedência com o avanço das investigações.

O dono do Master negou que tenha vendido carteiras de crédito falsas. Já o presidente do BRB disse que não tinha clareza de que o que houve foi uma fraude. Mas, segundo o então diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, também ouvido no STF, seria possível verificar que os créditos oferecidos pela Tirreno via Master não existiam.

“Como auditor de carreira, aplicando técnicas, eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas, é possível a identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB. E é tanto que o time da Supervisão inquiriu muito o BRB, em vários ofícios, que a gente chama de inquisições de auditoria, acerca da geração dos créditos”, afirmou Ailton Aquino. 

Do total de R$ 12 bilhões adquiridos em carteiras fictícias, as investigações apontam que o rombo no BRB pode chegar a R$ 5 bilhões. Além disso, Ailton Aquino afirmou no depoimento que a crise de liquidez no Master era muito clara, já que o banco não tinha ativos em caixa para honrar os próprios compromissos.

“Apesar de o Master ser um típico, nós chamamos S3, uma instituição de médio porte, dada a crise de liquidez do Master e com R$ 80 bilhões de ativos totais, o acompanhamento por parte da Supervisão era fundamental. Para pontuar isso claramente, um banco de R$ 80 bilhões tem liquidez de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões em títulos livres. O Master, antes da liquidação, só tinha R$ 4 milhões em caixa”, destacou o diretor do BC. 

Nos depoimentos, Vorcaro se negou a informar a senha do celular à PF, apreendido durante a operação Compliance Zero, e também minimizou conexões políticas. Alegou que seu bom trânsito nos três Poderes não teve relação com a venda do banco para o BRB. Ainda assim, confirmou que conversou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda de ativos do Master para o BRB.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, voltou a afirmar nesta sexta-feira (30) para veículos de imprensa que nunca tratou com Daniel Vorcaro sobre as operações entre o Banco de Brasília e o Banco Master. Segundo Ibaneis, as tratativas eram feitas com o presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
 

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Criado em 30/01/2026 - 19:25

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