Segundo os dados mais atualizados do Ministério da Justiça, de janeiro a novembro de 2025, 1.357 mulheres foram assassinadas em todo o país, vítimas de feminicídio, o que dá uma média de 4 casos por dia. E, se somarmos a isso as tentativas de feminicídio, esse número supera 4.790 casos, uma média de 14 vítimas por dia e um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2024.
Segundo uma pesquisa feita pelo Laboratório de Estudos de Feminicídio da Universidade Estadual de Londrina, 22% das mulheres que sofreram o feminicídio ou a tentativa em 2025 registraram antes uma denúncia. Agora, esses crimes ou tentativas impactam não só as mulheres, mas impactam também fortemente a sociedade, porque, segundo este estudo, quase 3% das mulheres que sofreram feminicídio ou tentativa estavam grávidas, 30% dessas violências aconteceram na frente de crianças ou adolescentes e quase 70% dessas mulheres que morreram ou que sofreram tentativa de feminicídio tinham filhos dependentes, ou seja, crianças que, se não ficam órfãs, ficam também com pais assassinos ou que tentaram cometer um assassinato.
De acordo com o estudo da Universidade Estadual de Londrina. A idade média das vítimas é de 33 anos, e a do agressor, de 36. Quase 40% foram assassinadas dentro de casa. Aos finais de semana, a violência aumenta: 20% das tentativas e dos feminicídios ocorreram aos domingos e mais de 19%, aos sábados.
“Infelizmente, o que acontece é que, quando estamos mais liberadas do trabalho, aumenta o convívio familiar e social e aumentam os riscos e, consequentemente, a violência contra a mulher e o feminicídio. As políticas de educação, políticas de assistência e as políticas para as mulheres… tudo isso foi muito atacado em período recente no Brasil, e ainda não conseguimos restaurar, como é necessário, para virar essa curva e começar a tratar da prevenção antes que a violência aconteça” explica Silvana Mariano, professora da UEL
Em 2024, o crime de feminicídio teve a pena de prisão aumentada para até 40 anos, a mais alta prevista no direito brasileiro. Mesmo assim, o levantamento mostra aumento de 2023 a 2025.
“Da mesma forma como a gente constrói essa cultura machista, ela também pode ser destruída. Então, aumentar a conscientização em dias de jogos e finais de semana; aumentar a cobertura das delegacias da mulher para que fiquem abertas durante o fim de semana. Aumentar os vínculos familiares. Muitas vezes, essa mulher não tem como fazer terapia, mas tem como contar com uma amiga, com a vizinha, com alguém com quem possa desabafar e contar o que está acontecendo antes que a violência aumente. Se a gente consegue identificar, a gente consegue agir para combater”, ressalta a advogada Natália Veroneze.
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