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Obra do escritor Thomas Mann passa a ser de domínio público

Repórter Brasil

No AR em 06/01/2026 - 19:00

A obra do escritor alemão que é filho de uma brasileira, Thomas Mann, passa a ser de domínio público. Um convite à literatura sobre a defesa da democracia e da liberdade.

Thomas Mann foi um dos maiores escritores do século XX. Aqui, ele recebe uma medalha do cientista Albert Einstein, nos Estados Unidos. Ambos fugiram da Alemanha com a chegada dos nazistas ao poder. Mesmo longe, Mann escrevia discursos contra Adolf Hitler. Os perigos do fascismo foram abordados em alguns dos romances do autor, como "Mário e o Mágico" e "Doutor Fausto". Por isso, a obra dele é atual.

“Durante a Primeira Guerra Mundial, a gente poderia chamá-lo de um nacionalista, protofascista, durante a Primeira Guerra Mundial. Acreditava numa independência, numa singularidade da Alemanha, numa diferença da Alemanha diante dos outros países. Mas, depois da Primeira Guerra, ele vai se dando conta que não se trata de uma diferença que precisa ser superada pela violência, mas uma diferença que tem que ser superada pela integração das nações. Então, de um nacionalista, ele passa a ser um cosmopolita durante a década de 1920, durante a República de Weimar, da Alemanha. E, justamente nessa década de 20, é quando há a ascensão do nacional-socialismo na Alemanha. E aí começam os embates entre a visão de mundo dele, a perspectiva do que seria uma república alemã para ele, e o que o nacional-socialismo estava pregando, que não era nada republicano, mas sim um projeto autoritário, beligerante, militarizado, violento. Então, desde os anos 20, diria que de 23 em diante, ele já se torna um opositor, dentro da Alemanha, do próprio regime”, destaca Leonardo Thomaz, doutorando em Teoria Literária.

O escritor, que era descendente de uma família aristocrata e nasceu na Alemanha, passou parte da vida exilado nos Estados Unidos. Mas tinha uma conexão forte com o Brasil. A mãe de Thomas Mann, Julia, era brasileira. Nasceu em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Um detalhe que não passa despercebido na história desse grande nome da literatura mundial.

“Sempre há, nos seus romances, personagens femininas que fogem do padrão europeu, que é mais frio, mais distante. Sempre tem uma mulher que é mais... ah, tentadora. Mas que gera mais sedução, um erotismo um pouco mais pronunciado. Tem bastante impacto esse fato da mãe dele não ser alemã, de fato”, explica Leonardo Thomaz.

Em 2026, faz 70 anos da morte de Mann. Pela lei de direitos autorais do Brasil e da Europa, os trabalhos do autor podem ser editados e publicados livremente. A entrada em domínio público da obra do escritor alemão também facilita a adaptação para filmes. Porém, a lei brasileira é diferente da dos Estados Unidos. Lá, as obras entram em domínio público de maneira individual 95 anos após a publicação.

Baseado na história da própria família, Thomas Mann escreveu o livro "Os Buddenbrook", que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura há quase 100 anos atrás. Mas agora, com a entrada da sua obra em domínio público, aumentam as chances de chegar ao Brasil trabalhos que ainda não foram traduzidos para o português, como os diários e as cartas.

Imagens mostram Thomas Mann recebendo o Prêmio Nobel de Literatura, que na cerimônia foi entregue pelo Rei Gustavo V, da Suécia. As imagens são raras, em preto e branco, mas a obra de Thomas Mann segue atual em defesa da liberdade e da democracia.

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Criado em 06/01/2026 - 22:25

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