Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Paraíso para turistas, inferno térmico para quem mora no morro

Repórter Brasil

No AR em 21/01/2026 - 19:00

Enquanto turistas e moradores de regiões ricas do Rio de Janeiro aproveitam os dias de calor para se refrescar na praia de Copacabana, as pessoas que vivem na comunidade de Chapéu Mangueira, que tem vista para o mar, passam aperto.

“Pessoal na rua tá na orla, tem brisa do mar. A gente aqui, por mais que esteja próximo da praia e a praia seja nosso quintal, sente sensação térmica por causa das estruturas das residências”, conta Monique Rocha, assistente de pesquisa. 

Moradora da comunidade, a Monique é também uma das pesquisadoras que atuam em um projeto de pesquisa que envolve universidades brasileiras e a holandesa Utrecht e faz o mapeamento dos efeitos do calor dentro das casas das pessoas na favela.

“Os moradores são pesquisadores comunitários, eles também vão fazer entrevistas com vizinhos e vizinhas, aplicando questionários para ter essa dimensão ao nível comunitário. Essa metodologia a gente está montando agora, no sentido que é uma metodologia relativamente nova. A gente tenta realmente combinar diferentes metodologias, quantitativas e qualitativas, combinando medição da temperatura nas casas com umidade e também diários de calor”, explica Francesca Pilò, professora em planejamento urbano da Universidade de Utrecht.

Enquanto os termômetros na praia marcam 30 °C, em algumas comunidades do Rio a sensação pode chegar a 50 °C. Casas pequenas e muito próximas umas das outras, concreto, telhados de amianto e as falhas nos fornecimentos de água e energia tornam os efeitos do calor extremo ainda mais intensos.

“A maior diferença é o adensamento urbano. Aqui são mais próximas umas das outras, ruas mais estreitas, e temos a questão da arborização também. Tem alguns pontos que têm muita arborização, mais próximos da mata, outros têm menos por conta do planejamento urbano”, destaca Cecília Pestana, diretora de projetos na Revolusolar.  

A pesquisa começou em julho do ano passado e está na fase de coleta de dados. A região do Leme, onde fica duas comunidades pesquisadas, sofreu com um apagão entre os dias 3 e 6 de janeiro deste ano. Para alguns dos moradores, foram mais de 36 horas sem energia elétrica e sem água.

“Aqui todo mundo perdeu muita coisa. Como vai ser ressarcido? Nós que somos mais pobres é que mais sofremos nesse momento de grande calor. Tem aglomeração de muitas casas, e o pobre não faz as casas pensando no conforto, faz na necessidade”, conclui Dinei Medina, presidente da Cooperativa de Energia Solar.  
 

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 21/01/2026 - 20:35

Últimas

O que vem por aí