Dormir mal vai muito além daquele cansaço no dia seguinte. Estudos científicos mostram que a má qualidade do sono está associada a um maior risco de doenças graves e até mesmo de morte precoce.
O Repórter Brasil inicia hoje (19) uma série especial de reportagens da TV Unicamp, emissora parceira na Rede Nacional de Comunicação Pública. Você vai entender por que dormir bem é uma questão de saúde e de sobrevivência.
Vivemos conectados. O tempo todo. Às vezes, até tarde da noite. E enquanto o mundo não desacelera, o nosso corpo pede uma pausa.
“O sono insuficiente é basicamente uma epidemia na nossa sociedade contemporânea, mundialmente falando”, destaca Tânia Marchiori Cardoso, coordenadora do Laboratório de Distúrbios do Sono da Unicamp.
O sono é uma necessidade biológica, assim como respirar ou comer. Se até hoje precisamos, em média, de oito horas por noite, é porque essa é uma engrenagem vital do nosso organismo. Nosso corpo segue o relógio interno: o ciclo circadiano. Ele é guiado pela luz e pela escuridão.
Mas a modernidade nos trouxe um problema crônico. Estamos cada vez mais expostos à iluminação artificial. De lâmpadas LED, mas também de computadores e, principalmente, de celulares. Que estão conectados à tomada, mas também à nossa curiosidade, que sempre quer dar aquela última olhadinha na notificação recebida no celular. Só que isso ativa o nosso cérebro. E esse mau hábito desregula o nosso relógio biológico, que recebe essa luz, essa claridade, como um aviso, uma mensagem para ficar online. Com isso, a produção de melatonina, que deveria estar em alta, acaba entrando no modo offline. O resultado? A pessoa demora muito mais a dormir, não descansa o suficiente e acaba entrando nesse loop de viver o dia o tempo inteiro.
Quando não descansamos bem, o corpo cobra. A imunidade enfraquece, o estresse dispara, o cérebro perde o foco. E o que parecia apenas cansaço vira um problema de saúde. O sono tem camadas, fases e funções. Na fase 1, estamos adormecendo, o corpo relaxa, a mente começa a desacelerar. Na fase 2, é o chamado sono leve. O coração bate mais devagar e a temperatura do corpo cai. Nas fases 3 e 4, estamos no sono profundo. O corpo se recupera, o sistema imunológico se fortalece.
“É como se fosse uma faxina do lixo cerebral, em que se eliminam substâncias tóxicas, proteínas anormais, que o seu acúmulo no cérebro pode levar à neurodegeneração”, enfatiza Tânia Marchiori Cardoso.
E na fase chamada REM, é quando sonhamos. O cérebro está ativo, mesmo que o corpo pareça imóvel.
O sono é um pilar da saúde, da vida. Entender como ele funciona é o primeiro passo para cuidar melhor de nós mesmos.
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