As chamadas canetas emagrecedoras viraram moda. Surgiram para o tratamento da diabetes tipo 2, mas sua ação eficaz na perda de peso logo transformou o medicamento num dos mais eficientes na luta contra a obesidade e febre nas academias e consultórios estéticos.
De forma geral, elas removem o excesso de açúcar do sangue, impedindo que o fígado produza e libere açúcar em excesso, auxiliam na redução da ingestão de alimentos, além de diminuir a velocidade com que a comida é digerida.
“O Monjaro, na verdade todos os medicamentos que são voltados para emagrecimento, ele é indicado para pacientes com obesidade, que têm IMC maior que 30, ou pacientes que têm IMC maior que 27 e alguma comorbidade associada, e aí entra pressão alta, diabetes. Então, não é um medicamento para uma paciente que quer perder 3 quilinhos, está com IMC normal e quer perder três quilos. É um medicamento para uma paciente que realmente tem um excesso de peso, tem complicação metabólica secundária àquele excesso de peso e precisa tratar isso. Não é para ser feito um uso indiscriminado”, alerta a endocrinologista Ana Paula Rocha.
Contudo, o estudo de uma conceituada revista britânica revelou que quem interrompe o uso da caneta pode recuperar os quilos perdidos até quatro vezes mais rápido do que as pessoas que abandonam as dietas convencionais e exercícios físicos. Pessoas com sobrepeso emagrecem rápido, mas, após a interrupção do tratamento, voltam a pesar como antes, em cerca de um ano e meio.
“Você tem que levar em conta quais fatores? A quantidade de peso que o paciente perdeu durante o tratamento, como o paciente perdeu esse peso, se ocorreu uma base, no caso mudança de hábito de vida, adequação de atividade física, adequação de dieta durante o processo, ou se o paciente fez um processo baseado somente no remédio. O processo, na verdade, é mudar hábitos com o auxílio do remédio. E isso previne, ou auxilia pelo menos, que o paciente, quando reduz a dose ou suspenda o medicamento, não reganhe o peso. Mas vale lembrar que a obesidade é uma doença crônica, que nem hipertensão, que nem diabetes, e, às vezes, ela precisa ser tratada ao longo da vida”, pontua a médica.
O psicólogo Demerval Bruzz eforça a necessidade da mudança real de hábitos. “Essa frustração com a retomada de peso me dá o sentimento de fracasso, falhei mais uma vez. Então, é um mito pensar que eu mudo um hábito em 21 dias. Isso é bom para vender livro. Para a vida real, não. Um hábito vai demorar 70, 90 dias… e se eu deixar, eu parar uma semana, eu vou voltar à estaca zero praticamente. E isso vai trazer mais um sentimento de fracasso, mais um sentimento de perda. E isso vai retroalimentando minha ansiedade. Retomar essa ideia de saúde é muito difícil porque nós criamos desculpas para nós mesmos”, explica ele.
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