Pescadores denunciam que a praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, está com uma coloração azulada e que isso vem afetando a pesca e a renda dos moradores da região.
As manchas azuis e os peixes e siris mortos na faixa de areia acenderam o alerta.
“De uns dois anos para cá, nós começamos a sentir a diferença. Você cava, vem aquela água azul, e quando você se aproxima mais vem aquele cheiro de amoníaco. Eu já tenho mais ou menos 18 dias que eu já não sei o que é vender um quilo de peixe, porque ninguém quer comer peixe aqui”, lamenta o pescador Clênio Dias.
O ponto onde o material teria sido visto com mais intensidade fica próximo à área portuária.
Aline Matos, marisqueira, reclama da falta de respeito com as comunidades que vivem do mar. “Isso prejudica muita gente que vive da pesca, né? O marisqueiro tem que ter um valor, tem que respeitar, jogando o produto no mar e prejudicando o povo”.
Despejo de ureia
Os pescadores indicam o despejo de ureia e outros produtos químicos, que, de acordo com especialistas, em grandes quantidades podem causar sérios danos ambientais.
“É um composto à base de nitrogênio que, em contato com a água ou com outras substâncias, pode vir a causar vários danos tóxicos. Queimadura, liberar toxinas, amônia, que é extremamente adstringente e volátil, ou seja, ela vai para o ar”, explica Angélica Ribeiro, pesquisadora Química Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Diante das denúncias, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) informou que já realizou uma primeira vistoria no local. Novas coletas serão realizadas e um laudo técnico deve detalhar a contaminação e qual a origem do material.
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