A diretora de políticas públicas da Meta para a América Latina, Yana Dumaresq, foi ouvida nesta terça-feira (24) na Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado. Ela detalhou mecanismos de prevenção contra fraudes promovidos pela empresa. A diretora disse que a empresa adota ferramentas automatizadas de detecção, que conseguem remover conteúdos enganosos antes mesmo da denúncia em 90% dos casos. A diretora disse que a companhia também desarticula redes criminosas em parceria com autoridades e instituições financeiras.
“A Meta trabalha globalmente, então nós olhamos dados mais de forma global. Por isso, quando eu falo para o senhor que no ano passado, nós removemos 134 milhões de anúncios fraudulentos e desmantelamos algo como 12 milhões de contas, então a gente trabalha mais com um viés global. Obviamente temos, sim, repercussões em casos no Brasil, mas as nossas estatísticas são globais”, afirmou a diretora.
No entanto, ao dizer que a empresa não tinha dados sobre o Brasil, ela foi questionada pelo relator da CPI, Alessandro Vieira (MDB-SE). O senador disse não ser razoável que uma empresa do porte da Meta não tenha dados sobre o mercado brasileiro. Ele citou reportagem da agência Reuters que revelou, com base em documentos internos da Meta, que anúncios considerados de alto risco podem gerar bilhões em receita. Mas a diretora negou conhecer esses documentos.
“Eu trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem. Ao contrário, volto a repetir aqui, as informações que nós temos é de que comportamentos golpistas e fraudulentos no ambiente digital desencorajam investimentos em anúncios, ou seja, é um desinteresse da empresa abrigar esse tipo de comportamento e de atores maliciosos dentro das nossas plataformas”, reafirmou Yana.
Diante da afirmação, o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a Meta deveria empreender mais esforços para fazer a rastreabilidade de anúncios fraudulentos e, quando necessário, fazer a reparação dos dados independentemente de ação judicial.
A CPI do Crime Organizado ouve, amanhã (25), Thiego Raimundo dos Santos, ex-parlamentar preso sob acusação de ligação com o Comando Vermelho.
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