O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez mais uma postagem racista, desta vez envolvendo o ex-presidente do país, Barack Obama, e a esposa dele, Michelle Obama.
A fala repercutiu mal tanto entre democratas quanto entre os próprios republicanos, partido de Trump. Após as críticas, o vídeo foi apagado e a Casa Branca disse que as imagens ofensivas tinham sido postadas por engano.
O vídeo de um minuto, gerado por inteligência artificial, retoma denúncias nunca comprovadas de fraude nas eleições de 2020, quando Donald Trump perdeu para o presidente democrata Joe Biden e não reconheceu o resultado. Ele foi publicado na madrugada de hoje e apagado no início da tarde. O ex-presidente Barack Obama e a mulher dele, Michelle Obama, aparecem como macacos em uma imagem de dois segundos. Obama foi o único presidente negro dos Estados Unidos. A postagem foi condenada por congressistas democratas e também por integrantes do Partido Republicano.
Em uma rede social, o deputado Hakeem Jeffries, líder dos democratas na Câmara de Representantes dos Estados Unidos, afirmou que Donald Trump é um verme vil, desequilibrado e maligno, e disse que todos os republicanos deveriam denunciar imediatamente o fanatismo repugnante do presidente.
Também em publicação nas redes, o senador Tim Scott, único senador republicano negro, disse rezar para que o conteúdo fosse falso, classificando a postagem como a coisa mais racista que já viu vinda da Casa Branca, e defendeu que o presidente removesse o vídeo.
Em cerca de três horas, foram feitas mais de 60 postagens reforçando a tese de fraude eleitoral. O bombardeio nas redes sociais ocorre em meio a uma série de problemas internos, como críticas ao trabalho do Ice, a polícia de imigração do país, e à divulgação de arquivos do caso Jeffrey Epstein, bilionário envolvido em um grande esquema de tráfico de mulheres e meninas.
Para a professora de Relações Internacionais da ESPM, Natália Fingermann, o governo Trump passa por um momento de recuo diante do escândalo envolvendo Epstein. Segundo ela, o presidente tenta desviar o foco do debate ao lançar mão de temas polêmicos, mudando a atenção da opinião pública para outros assuntos.
Outra preocupação do governo americano é a impopularidade em ano de eleições para a Câmara e o Senado, quando os republicanos podem perder a pequena maioria que mantêm nas Casas.
Segundo o professor do Instituto de Relações Internacionais da UnB, Roberto Goulart Menezes, Trump é rejeitado por 58% da população dos Estados Unidos. Ele avalia que, em apenas um ano, o presidente tenta virar o país de ponta-cabeça, mas encontra resistência, e que as eleições no segundo semestre podem dar maioria aos democratas em uma ou nas duas Casas do Congresso.
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