A Comissão de Ética do Hospital das Clínicas da USP teria negado a aplicação da polilaminina em um paciente que levou um tiro na medula. O medicamento está em fase de testes para aplicação em pacientes que perderam movimentos depois de traumas na coluna vertebral.
Contudo, a assessoria do HC não confirma, por se tratar de informação confidencial.
A defesa do paciente recorreu à justiça para que essa substância, a polilaminina, seja aplicada no tratamento no hospital. Isso ilustra o que tem acontecido: os familiares têm recorrido à justiça, em uma ansiedade para ver esse problema revertido.
Incrivelmente, desde que a Anvisa autorizou esses testes, uma série de controvérsias tem surgido. Primeiro, por exemplo, a cobertura que a imprensa está fazendo, no sentido de enaltecer a pesquisadora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Outros dizem que ela e a pesquisa estão sofrendo críticas porque ela é mulher. E existe ainda os colegas, os pares, os cientistas que criticam tanto Tatiana quanto a pesquisa dela.
A pesquisadora esteve no programa "Sem Censura", da TV Brasil, e falou sobre tudo isso. Ela explicou que pesquisa essa substância há 30 anos e que estamos agora na fase 1 de três fases de um teste autorizado pela Anvisa. E que isso vai levar tempo, possivelmente anos, para que se tenha um medicamento. A pesquisadora afirma que o que se quer testar agora é a fase inicial, assim que o paciente sofre o trauma. Essa substância deve ser testada o quanto antes.
Os pares de Taiana dizem que, nesta fase inicial, muitos pacientes já se recuperam por conta desse período mesmo e por conta de uma cirurgia de descompressão que se faz neste momento.
Tatiana respondeu que o que tem acontecido agora é justamente os passos da ciência e respondeu a essas críticas e a ansiedade de muitos pacientes. Ela disse que esperava, inclusive, que essas críticas viessem antes:
“Ao contrário do que pessoas que são de fora da ciência imaginam, a ciência não é uma coisa assim: ‘isso aqui é verdade, isso aqui é mentira’. Não é exatamente assim. A verdade científica também é passível de debate. Algumas pessoas podem dar argumentos, outras darem outros argumentos. Então, a ideia de que a ciência é uma coisa que não é passível de interpretação e que é uma lacração é um engano. A ciência é passível de discussão também. Os dados, a interpretação dos dados podem ser questionados. [...] Existe uma concepção de que o sistema nervoso central não regenera. E isso é uma coisa que todo mundo acredita. Então, quando você chega e diz: ‘olha, dá para regenerar sim’, é uma coisa que choca. E eu acho que, como qualquer outra descoberta que muda o curso do que se pensava e que traz uma outra percepção, incomoda parte da comunidade.”
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