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Como a guerra no exterior chega ao preço do seu prato e do tanque? 

Repórter Brasil

No AR em 20/03/2026 - 19:00

A escalada do conflito envolvendo o Irã tem pressionado fortemente o mercado global de petróleo. Ataques a instalações energéticas e o bloqueio no Estreito de Ormuz aumentam a incerteza sobre a oferta do produto. Diante desse cenário, a Petrobras informou, nesta sexta-feira (20) que está operando em carga máxima para garantir o fornecimento de todo o volume de combustível produzido em suas refinarias.

Soja, milho, carne, café, aço: boa parte da economia brasileira se move sobre rodas, pelas rodovias do país. E as estradas são apenas uma das frentes de uso do diesel, combustível derivado do petróleo que abastece os caminhões e sustenta a circulação de praticamente tudo o que é produzido e consumido no Brasil.

“Nós temos o setor aéreo, que usa o querosene de aviação, derivados do petróleo. Você tem o gás liquefeito de petróleo, que também é influenciado pelo preço do petróleo, pode afetar famílias. Você tem as resinas plásticas, né? Um tubo de PVC leva petróleo. Uma garrafa PET de refrigerante leva petróleo. O poliéster das roupas leva petróleo. Adubos, fertilizantes e defensivos agrícolas: petróleo. Então o petróleo está presente em inúmeros itens, matérias-primas e bens finais, que não encerram e que podem, ao longo dos próximos meses, sofrer aumentos de preço por conta desse aumento repentino”, explica o economista André Braz.

Apesar de ser o sétimo maior produtor de petróleo do mundo, com uma produção de quase 4 milhões de barris por dia, o Brasil sofre as consequências da guerra dos EUA e Israel contra o Irã. Isso porque, embora produza muito, o país ainda não consegue refinar todo o seu petróleo. Como resultado, o Brasil exporta parte de seu petróleo cru e precisa importar os derivados refinados, ficando refém dos preços internacionais.

Atualmente, cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, o que torna o país mais sensível às oscilações do mercado internacional. Nesta semana, com a escalada da guerra, o preço do barril disparou e chegou a US$ 120 dólares, puxando junto o valor do diesel.

Composição Preço

Esse impacto global chega direto ao bolso do consumidor. Isso porque o preço do diesel nas bombas é formado por vários componentes.

Hoje, a parcela da Petrobras é de R$ 2,80 por litro, o equivalente a 40,6% do preço médio final, que está em R$ 7,06*. O restante do valor se divide entre distribuição e revenda (R$ 1,84), biodiesel (R$ 0,76), ICMS (R$ 1,17) e tributos federais (R$ 0,32).

O governo tem buscado alternativas para conter a alta e aposta em medidas como a redução de impostos, como a possibilidade de zerar o ICMS. Especialistas também avaliam que a Petrobras poderia amortecer parte desse aumento, mas fazem ressalvas. A companhia não detém exclusividade no mercado brasileiro e, além disso, não pode simplesmente abrir mão de sua receita. Isso porque precisa cobrir custos como a compra do petróleo, o refino, a logística e ainda garantir retorno aos acionistas, o que limita sua capacidade de segurar preços por muito tempo.

“A gente exporta a matéria-prima e importa um bem final. Então isso também nos torna mais vulneráveis. Se por um lado a gente ganha na balança comercial porque o petróleo valorizou e entram mais recursos, por outro a gente paga mais caro também pelo refino dele, por comprar o produto refinado lá de fora. Então você ganha com uma mão e perde com a outra. Então não resolve. O impacto chega de qualquer jeito”, pontua o economista. 

*Valor alterado para atualizar o valor divulgado pela ANP no momento da veiculação da reportagem. 

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Criado em 20/03/2026 - 19:55

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