Uma pesquisa do Dieese ajuda a entender a dinâmica de trabalho dos vendedores ambulantes da cidade de São Paulo. O estudo traça um perfil desses trabalhadores e os principais problemas que eles enfrentam. Muitos, inclusive estrangeiros, encontram na venda pelas ruas a única forma possível de sustento.
Marisol Cruz vende roupas durante a madrugada no Brás, região central de São Paulo. Trabalha junto com os pais e os irmãos. A família boliviana está no Brasil há dez anos. Durante o dia, o tempo se divide entre o descanso e a costura de mais peças para vender na rua.
Os estrangeiros são mais de 30% dos que trabalham no comércio ambulante da cidade. No total, mais da metade das pessoas que atuam nessa atividade são negras e uma em cada dez é indígena. Entre as razões para trabalhar nas ruas estão a falta de oportunidades em outras áreas e também os baixos salários dos empregos formais.
Quase a metade dos vendedores ambulantes da cidade de São Paulo trabalha mais de 44 horas por semana. Alguns chegam a trabalhar mais de 50 horas semanais, expostos ao sol, à chuva e ao frio. Há ainda o risco de violência. Um em cada quatro vendedores ambulantes diz que já sofreu com apreensão de mercadorias, agressões físicas ou verbais ou mesmo exigência de propina por guardas civis metropolitanos e policiais militares. Ainda assim, apenas 8% conseguem ter rendimentos maiores do que R$ 5 mil por mês.
De todas as dificuldades, o grande terror dos ambulantes é o "rapa", a apreensão de mercadorias feita pela prefeitura.
Segundo os autores da pesquisa, a precariedade entre os trabalhadores estrangeiros é ainda maior.
“Enquanto os brasileiros, 52,7% têm permissão da prefeitura para trabalhar no ponto em que atuam, no caso do total dos imigrantes, 80,7% não têm permissão. Ou seja, uma diferença muito grande”, destaca o pesquisador do Dieese Tiago Côrtes.
A prefeitura de São Paulo afirma que fiscaliza o comércio ambulante para garantir a segurança de quem vende e de quem compra e que o programa "Tô Legal" permite a regularização rápida, em um processo digital. Já a Secretaria de Segurança Pública do Estado diz que, no caso dos ambulantes, a PM trabalha sempre em apoio à prefeitura. Na região central, onde foi feita a reportagem, a secretaria garante que a atuação policial reduziu roubos e furtos.
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