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Estupro no Rio e 'Red Pill': O lucro por trás da misoginia nas redes

Repórter Brasil

No AR em 10/03/2026 - 19:00

No Rio de Janeiro, estudantes do Colégio Federal Pedro Segundo se reuniram em frente a uma das unidades da instituição para protestar contra o silêncio da direção diante do caso de estupro coletivo de uma jovem de 17 anos. Dois dos cinco acusados estudam no colégio. 

A manifestação foi convocada por grêmios estudantis da instituição que reivindicam também a adoção de um plano de enfrentamento e prevenção ao assédio na instituição. Vitor Hugo Simonin, filho de um ex-subsecretário de Direitos Humanos do governo do Rio, e o jovem de 17 anos, que fez o convite para o encontro no apartamento em Copacabana, estudam em uma das unidades do Colégio Pedro Segundo. Antes mesmo do estupro vir à tona, os dois jovens já haviam levado advertências por comportamento inadequado. 

Vitor se entregou à polícia com uma camisa com a frase que em português quer dizer: "Não me arrependo de nada", o que causou revolta nas redes, especialmente de mulheres, que logo associaram a mensagem a movimentos misóginos como o Red Pill.

“Esse universo Red Pill, ele é só uma fatia, um recorte de um contexto maior e mais amplo, quase sistêmico mesmo”, destaca Luciane Belin, Pesquisadora do Netlab/UFRJ

Nesta semana, imagens nas redes sociais de homens ensinando a agredir as mulheres reacenderam o debate sobre esse movimento incentivador da misoginia. São jovens que explicam como agir de forma violenta com meninas e mulheres que digam não a abordagens masculinas.

“Essas trends não são novidades: sai uma e volta outra. Quando uma é mais polêmica, surgem outras para gerar com isso muitas vezes... Quanto mais visualização, mais chances de vender produtos, de fazer publi, de vender anúncio, de circular em anúncios. Isso é lucrativo para o influenciador e para as plataformas”, lembra a pesquisadora.

A Advocacia-Geral da União apresentou uma notícia-crime à Polícia Federal e identificou pelo menos quatro perfis de usuários responsáveis pela publicação. Os vídeos foram retirados da plataforma, mas ainda é possível encontrar outros com a mesma hashtag. 

Luciane Belin participou de um estudo que, já em 2024, havia analisado 137 perfis no YouTube que propagavam conteúdo misógino. Agora, ao atualizar o estudo, constatou que 123 não só continuam ativos como também tiveram crescimento em visualizações.

“Não existe uma única solução para combater a misoginia online, então precisa ser uma solução sistêmica que dê conta de, de fato, criminalizar a circulação de discurso violento contra as mulheres, de discurso misógino. Mas também uma legislação mais dura no sentido de exigir a transparência das plataformas digitais. A responsabilização por circular conteúdos nessas plataformas precisa ser tanto de quem publica, mas também de quem inviabiliza, né? Mas também mais informação e acesso a dados para que tanto instituições quanto pesquisadores possam monitorar e possam de fato fiscalizar esse tipo de conteúdo nas plataformas digitais”, cobra Luciane Belin. 

Em nota publicada no site da instituição, a reitoria do Colégio Pedro Segundo informou que foi instaurado um processo disciplinar, que poderá resultar na expulsão dos alunos envolvidos no caso.

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Criado em 10/03/2026 - 20:25

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