O conflito no Oriente Médio ultrapassa as fronteiras da região e provoca turbulência nos mercados internacionais. Energia mais cara, risco para o comércio global e pressão inflacionária entram no radar.
A guerra iniciada no último sábado contra o Irã já produz efeitos significativos no mercado internacional de energia e na economia global. Além do impacto humanitário, os ataques dos Estados Unidos e de Israel atingem infraestruturas estratégicas em território iraniano. Em resposta, o Irã lançou ofensivas contra bases militares norte-americanas no Golfo Pérsico e também contra instalações energéticas na região.
Entre os alvos atingidos estão estruturas petrolíferas na Arábia Saudita e uma planta de produção de gás natural liquefeito no Catar. Parte das refinarias e unidades de processamento foi temporariamente fechada.
Outro ponto de preocupação é o Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia, com destino principalmente à Ásia. A interrupção do tráfego na região contribuiu para a alta do petróleo tipo Brent, que subiu cerca de 13% e ultrapassou os US$ 83 por barril.
Analistas alertam que, se o bloqueio se prolongar por três ou quatro semanas, o preço pode chegar a US$ 100 o barril. O gás natural liquefeito também registrou aumento expressivo, pressionando os custos de energia, especialmente na Europa.
A elevação dos preços impacta contas de eletricidade, produção industrial e comércio internacional. Economistas avaliam que o cenário pode alimentar a inflação e reduzir o poder de compra em diferentes países.
O próprio Irã também enfrenta dificuldades adicionais. Antes mesmo do conflito, o país já lidava com sanções internacionais, desvalorização da moeda e escassez de produtos.
Especialistas afirmam que a crise energética pode ter efeitos duradouros, atingindo não apenas o Oriente Médio, mas também Estados Unidos, Europa e outras regiões do mundo.
*Reportagem de Hisham Wannous, repórter da Telesur em Beirute, Líbano.
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