Em São Paulo, deputados estaduais pedem a cassação da deputada Fabiana Bolsonaro (PL), depois que a parlamentar pintou a pele com maquiagem escura, uma prática racista conhecida como blackface. O caso aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Fabiana Bolsonaro subiu à tribuna com um espelho e um tubo de maquiagem nas mãos. Tinha um discurso ensaiado para criticar a deputada federal Erica Hilton por ter assumido a presidência da Comissão da Mulher da Câmara dos Deputados.
A deputada estadual Mônica Seixas (PSOL), protestou contra a performance da parlamentar. Após a sessão, a deputada fez um boletim de ocorrência por racismo e transfobia na delegacia. Uma representação ao Conselho de Ética da Alesp pede que Fabiana Bolsonaro perca o mandato. O documento é assinado por deputados do PT, PSOL, PCdoB e Rede.
Em nota, Fabiana Bolsonaro nega ter sido racista. Afirma que não é negra, mas respeita as pessoas negras e transexuais. O problema é que, nas eleições de 2022, quando conquistou o cargo atual de deputada, Fabiana se declarou parda. Candidatos pretos e pardos têm direito a mais recursos do fundo partidário. A deputada não comentou a possível fraude.
Pessoas brancas que se pintam para simular e ridicularizar pessoas negras é uma prática que começou no século 19 nos Estados Unidos e durou até o século 20. Só acabou por pressão dos movimentos antirracistas. E foi exatamente esse gesto que a deputada Fabiana Bolsonaro reproduziu no plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo para criticar a deputada federal Érica Hilton, que assumiu a presidência da Comissão das Mulheres na Câmara dos Deputados. O blackface reduz as pessoas negras a estereótipos, uma estratégia de desumanização.
“Isso fere diretamente, abertamente e flagrantemente leis nacionais que, para citar algumas delas, configuram racismo, configuram transfobia, com os danos ampliados por racismo e quebra de decoro parlamentar. Então, assim, analisando só pelo lado do direito, nós já temos muitos motivos para nos indignar”, explica Dandara Rudsan, especialista em Direito.
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