Uma em cada cinco crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos foi vítima de exploração e abuso sexual facilitados pela tecnologia. São cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online. A conclusão é de um levantamento divulgado pelo Unicef, nesta quarta-feira (4), com dados coletados entre novembro de 2024 e março de 2025.
Tecnologias digitais podem aumentar os riscos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Cerca de 19% das pessoas entre 12 e 17 anos no Brasil são afetadas por esse tipo de conteúdo. Em diversas plataformas, criminosos cometem aliciamento, extorsão, produzem, armazenam ou disseminam conteúdos ilícitos. O relatório “Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”, do Unicef, traz um retrato da incidência desses crimes no Brasil. Eles acontecem em redes sociais, jogos online e outras plataformas, totalmente no ambiente virtual ou por interações online e presenciais combinadas.
A exposição a conteúdo sexual não solicitado é a forma de violência sexual mais recorrente em plataformas online (14%). Outra informação que chama a atenção no relatório é que em quase metade dos casos (49%), exploração ou abuso são cometidos por um agressor que é conhecido da vítima. Cerca de 34% das vítimas não têm coragem de contar o ocorrido e pedir ajuda. 12% delas afirmaram não considerar a violência grave o suficiente para ser denunciada.
Em 66% dos episódios analisados, a violência ocorreu por canais online. A maioria por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagem instantânea (64%) e cerca de 12% em plataformas de jogos online. Instagram e WhatsApp são os aplicativos mais utilizados pelos agressores. 3% das crianças e adolescentes entrevistados relatam que já tiveram a própria aparência utilizada em conteúdos de cunho sexual construídos por inteligência artificial.
Em alguns casos, os criminosos buscam explorar crianças e famílias que enfrentam dificuldades econômicas. 5% dos entrevistados disseram ter recebido ofertas de dinheiro ou presentes para compartilhar, em troca, imagens ou vídeos de conteúdo sexual e 3% receberam convites para encontros presenciais.
“Ao invés de simplesmente proibir, banir as crianças da internet, das redes sociais, a gente precisa escutar o que eles precisam, o que eles esperam e chegar em acordos comuns, dialogados para que realmente eles sintam que a família é um contexto seguro para contar qualquer coisa que aconteça”, explica Luiza Teixeira, especialista em proteção contra as violências do Unicef no Brasil.
Nas conclusões, o estudo fornece recomendações ao governo, ao sistema de justiça e às famílias e cuidadores de crianças e adolescentes.
“Toda a atuação do sistema de garantias de direito, que é saúde, proteção, proteção social, educação, conselhos tutelares, justiça, segurança pública, todos têm que ter as suas capacidades fortalecidas para atender essas crianças e adolescentes de uma forma humana, não revitimizante, fazendo os encaminhamentos necessários. Isso é o principal”, destaca a especialista.
Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.