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Trilha de Letras traz segundo episódio sobre a Flip

Este ano, o evento homenageou o escritor carioca Lima Barreto

Na quinta, dia 10, às 21h30, o programa "Trilha de Letras"    traz uma cobertura da 15ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que aconteceu entre 26 e 30 de julho, na cidade de Paraty (RJ). Este ano, a Flip homenageou o escritor carioca Lima Barreto. Ícone da literatura social, o autor retratou as divisões de classe em um Rio de Janeiro do começo do séc. XX. Lima Barreto norteou toda a curadoria do evento, que buscou o equilíbrio de gênero e raça entre os autores e possibilitou mais debates sobre equidade social.

"Eu brinco dizendo que com ele (Lima Barreto), tomei a direção dos subúrbios. Não só os subúrbios do Rio de Janeiro, que ele conheceu, mas os subúrbios do mundo. Estava muito curiosa em descobrir autores que não estão nos 'centros', assim como autores internacionais de países mais periféricos, que não são exatamente centrais na geopolítica", revela a curadora da Flip 2017, Josélia Aguiar, para quem também foi importante o equilíbrio entre o número de escritores do sexo feminino e do masculino. 

"Tive uma preocupação muito grande de alcançar a paridade (de gênero). A Flip já vinha, nas últimas edições, ampliando o número de mulheres. Desta vez, tentei manter a paridade. Não sabia se ia dar um pouco mais de homens ou mulheres. No final, ficaram 24 mulheres e 22 homens. E houve preocupação em termos mais autores negros, para falar de literatura e do que quisessem, não necessariamente da questão racial."

"Essa Flip causou uma polêmica porque a curadoria convidou escritores paritariamente e também incluiu muito mais negros", afirmou a escritora Maria Valéria Rezende, segundo a qual as mulheres são sempre minoria em eventos literários. "Não é que nós não existamos. Há um viés que estabelece a literatura como coisa de homem branco."

Outra preocupação da Flip 2017 foi a reunião de escritores estrangeiros de língua portuguesa. Portugueses e angolanos foram presença marcante no evento.

Para o escritor português Pedro Mexia, "não há tantas línguas que tenham uma projeção em vários continentes, em países diferentes com literaturas muito diferentes e desconhecimento mútuo. É curioso, porque temos a mesma língua, mas não significa que conheçamos uns aos outros. Não creio que a maioria dos leitores brasileiros conheçam literatura portuguesa e ainda menos leitores portugueses conhecem literatura brasileira. A língua deve ser 'forçada', no bom sentido da palavra, a estes encontros, a estes momentos em que nós podemos conhecer realmente uns aos outros e não apenas a compartilhar a mesma língua."

Apresentado pelo escritor Raphael Montes, o Trilha de Letras vai ao ar pela TV Brasil toda quinta-feira, às 21h30. O programa debate literatura de maneira informal, revela curiosidades e novidades do meio literário nacional.

Serviço:

Trilha de Letras – Flip 2017

Quinta-feira, às 21h30, na TV Brasil.

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