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Espaço Público entrevista Lúcio Gregori

Autor do projeto tarifa zero critica preço das passagens no Brasil

Espaço Público

No AR em 27/01/2016 - 01:00

Autor do projeto tarifa zero, bandeira do Movimento Passe Livre (MPL), o engenheiro civil aposentado Lúcio Gregori critica o alto preço das passagens do transporte público no Brasil. Em entrevista concedida ao programa Espaço Público, da TV Brasil, ele comparou os preços praticados na capital argentina, Buenos Aires, com os de São Paulo. E concluiu que o paulistano deveria pagar, pelas mesmas bases, R$ 0,85, em vez dos atuais R$ 3,80. Em relação a Paris e Pequim, as tarifas da capital paulista deveriam custar R$ 1,27.

“No Brasil, o subsídio tarifário é extremamente baixo. [Os governos] têm que dar subsídio maior e o limite é a tarifa zero”, afirmou Gregori, que apresentou o projeto tarifa zero quando era secretário de Transportes do município de São Paulo, na gestão da prefeita Luiza Erundina, ainda no começo da década de 1990. Segundo ele, os subsídios não precisam ser arcados exclusivamente com impostos municipais, mas com a coparticipação de governos estaduais e federal, seja com empenho de recursos ou isenção de impostos.

“Quase todos os países com forte subsídio de tarifa têm fundos com composições. É uma solução. Não pode ser minimizada só porque o prefeito X ou o governador Y diz que não tem dinheiro. Mas ele não tem que fazer tudo sozinho, é uma disputa politica de outro caráter.” Ainda na opinião de Gregori, “é preciso uma discussão séria a respeito de como um país desse porte, o sétimo PIB [Produto Interno Bruto] do mundo, tem uma tarifa nessas proporções”.

Para o engenheiro, é preciso desconstruir narrativas enraizadas na cabeça das pessoas, de que é preciso pagar a tarifa de transporte, e “isso não muda do dia para a noite”. Gregori compara o debate em torno da tarifa zero ao que se travou sobre o pagamento do décimo terceiro salário. À época, lembrou, a proposta do salário extra foi apontada como populista, comunista, “disseram que quebraria o país”. O engenheiro argumenta que a questão não é contábil, mas política. E observa que a mobilidade vai proporcionar vários outros benefícios, com a melhoria da qualidade de vida.

A estatização do transporte público é desejável em certas circunstâncias, segundo Gregori, mas não é obrigatória nem se vincula à tarifa zero. Ele explica que o modelo tradicional é a concessão de serviço público e a tarifa é que garante o equilíbrio financeiro. Mas sustenta que existem outras alternativas, como o fretamento. “Eu desvinculo a tarifa do custo do serviço, eu faço do empresário um alugador de ônibus e vou cobrar a tarifa que bem entender. Ele coloca o capital, eu vou fretar, pagando uma rentabilidade da aplicação dele, e não preciso empatar o dinheiro do poder público em uma frota.”

Apresentado pelo jornalista Paulo Moreira Leite, o programa Espaço Público vai ao ar toda terça-feira, às 23h, pela TV Brasil. Da entrevista com Lúcio Gregori, também participaram o repórter Rodrigo Rodrigues, do jornal Folha de S.Paulo, e a editora do site da CartaCapital, Tory Oliveira.




Criado em 22/01/2016 - 16:45 e atualizado em 27/01/2016 - 15:07

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