Acabou o Campeonato Brasileiro. E se por um lado o campeão só foi conhecido na última rodada, pela primeira vez desde que o sistema de pontos corridos foi instituído, por outro ficará marcado como o campeonato das más arbitragens que, sem qualquer dúvida, influíram na disputa.
Pelo menos o meu receio não se confirmou: com a triste anulação de 11 jogos, o rebaixamento não foi alterado. Os quatro que caíram, cairiam mesmo sem a mudança dos resultados. Uma ou outra posição, ali pela intermediária, seria alterada, mas nada tão significativo. Como também no que se refere à Sul-Americana, que é, sim, uma competição internacional e que pode render uma graninha extra, mas que não é tão importante quando uma Libertadores. É uma compensação, mais financeira do que técnica, mas se a gente considerar que futebol é negócio, estar na Sul-Americana é uma boa.
Mas o campeão levou a taça carimbada pela arbitragem. O Corinthians, é claro, não tem culpa de nada. Só se aproveitou da "penada" do STJD e faturou quatro pontos em jogos que havia perdido. Quatro pontos que o colocaram em vantagem sobre o Internacional. Mas aí veio o confronto direto entre eles e a chance de o Colorado tirar a diferença. Só que os gaúchos não contavam com outra trapalhada de um juiz, que em vez de marcar um pênalti claro sobre Tinga, mandou o lance seguir e ainda expulsou o atacante do Sul. O empate manteve o Timão na frente e praticamente assegurou a ele o título de campeão.
Quanto aos clubes do Rio, tudo terminou como começou: ninguém ganhou coisa alguma e emoção só houve em momentos esparsos: o Fluminense sonhando com a vaga na Libertadores animou sua torcida, que termina o ano com gosto de derrota na boca; o Botafogo chegou a ser líder, mas depois despencou na tabela e teve de se satisfazer com a vaga na Sul-Americana. O Vasco andou sob risco de cair, recuperou-se e chegou igual aos outros dois: classificado para a mesma Sul-Americana. E o Flamengo, que ficou com a corda no pescoço até quase o final, deu uma arrancada surpreendente nos últimos jogos e só não entrou também nessa competição continental porque, contra o Goiás, fez um jogo de compadre para garantir um pontinho importante àquela altura.
Ou seja: o ano termina e o futebol carioca tem de pensar em mudar. O que, aliás, vem fazendo há algum tempo. Mas só pensar não adianta. É preciso atitude e isso está difícil de a gente ver por aqui.
Sergio du Bocage sbocage@tvebrasil.com.br
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