Pauta:
A luta contra o racismo no futebol ganhou um novo capítulo na Europa após o jogador Yaya Touré, do Manchester City, ter confessado que foi alvo de insultos, após uma partida na Rússia, contra o CSKA de Moscou.
O meia Touré denunciou o episódio e a torcida do adversário foi julgada e punida. O jogador negro que nasceu na Costa do Marfim não ficou só nas punições e ameaçou não disputar o Mundial de 2018. Ele declarou que irá organizar um boicote dos jogadores negros à competição se nenhuma decisão definitiva sobre o problema for tomada.
O assunto foi destaque na imprensa e ganhou acalorada repercussão nas mídias sociais.
As crescentes manifestações de racismo têm preocupado a Fifa e outras ligas do futebol. O Presidente Joseph Blatter já declarou que vai tornar mais rígidas as penas impostas aos agressores e prometeu discutir o assunto na próxima reunião do comitê, em dezembro deste ano.
Para debater este assunto, Alberto Dines recebe os jornalistas Tim Vickery, Maurício Fonseca e Luiz Fernando Gomes.
Editorial:
Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.
Em decorrência da greve dos funcionários da EBC, ficamos impedidos de apresentar o programa com os requisitos habituais. E a transmissão do amistoso entre as seleções do Brasil e do Chile, em Toronto, nos obrigou a gravar esta edição.
Vamos tratar justamente de futebol, e também de racismo em função do dia da consciência negra que transcorre amanhã. O nobre esporte bretão começou restrito às elites, jogado exclusivamente por brancos. Mas ao popularizar-se ganhou nova vibração e novas cores.
Como símbolo de uma miscigenação que o tornou universal, nosso primeiro grande astro foi o centro-avante Friedenreich - filho de um comerciante alemão e uma lavadeira negra - que brilhou nas primeiras décadas do século 20. A história do baseball nos Estados Unidos não foi diferente, mas a abertura deu-se mais tarde.
O esporte, e mais especialmente o futebol, talvez seja o segmento mais aberto da sociedade brasileira, onde negros e afro-descendentes gozam de todos os direitos e têm acesso irrestrito. Não é assim na Europa, sobretudo na Europa contemporânea, onde o racismo combinado com a política domina amplos setores populares e vai aos estádios promovendo espetáculos degradantes. Isso, 80 anos anos depois de uma sangrenta guerra mundial acionada justamente pelo ódio racial.
A Fifa é uma máquina registradora, que só se sensibiliza com dinheiro e lucro, especialmente nesta era Blatter, o suíço que deveria ser banqueiro ou relojoeiro, sem a menor sensibilidade humana e política. Esta omissão da Fifa diante da onda racista nos estádios produziu pela primeira vez na história do futebol uma ameaça de boicote à Copa, por parte dos jogadores negros, especialmente africanos. E a próxima Copa será jogada no Brasil, terra de Friedenreich, Leônidas, Zizinho, Didi, Pelé, Ronaldinho e milhares de outros.
Esta é a manchete desta edição do Observatório da Imprensa: abaixo o racismo!
Assista na Íntegra:
Apresentação: Alberto Dines
Como assistir
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