Jards Macalé tinha 82 anos e estava hospitalizado desde o começo deste mês por causa de problemas pulmonares. De acordo com o hospital, a causa da morte foi insuficiência renal e infecção generalizada.
Macalé era um músico talentoso e inovador. Foi um artista combativo. Autêntico, recusou tendências: não seguiu padrões e não cedeu ao jogo comercial das gravadoras. E ganhou o apelido de “anjo torto” da MPB.
Ele teve uma formação sofisticada: estudou música clássica, mas gostava também da música brasileira e soube adaptar a erudição às expressões do popular.
A carreira teve início na década de 1960. Começou a tornar-se conhecido quando Elizeth Cardoso gravou uma composição dele, em parceria com Roberto Nascimento: Meu Mundo é Seu. Depois, conheceu Caetano Veloso, no Rio, e aproximou-se da turma da Tropicália — de Gilberto Gil e de Maria Bethânia.
Em 1970, Macalé foi para Londres, a convite de Caetano, para dirigir a gravação do disco Transa. Macalé também fez parcerias com poetas importantes que começavam a despontar naquele período. Com Waly Salomão, em 1971, criou Vapor Barato, que viria a se tornar um marco da MPB e da contracultura no Brasil.
Junto com Torquato Neto, compôs Let's Play That e Dente no Dente. Em parceria com Capinan, criou Gotham City.
Em 1977, Macalé lançou Contrastes, também sem fazer concessões às gravadoras, o que acabou por selar seu destino no mercado: fez apenas trabalhos alternativos — e de muita qualidade.
Macalé foi um artista à frente da música brasileira. Transitava por vários estilos, sempre com originalidade. Criou, misturou e reuniu ritmos como rock, samba, blues, baião e jazz às composições que assinou.
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