Com o evento sediado em Belém, no coração da Amazônia, os povos indígenas buscam maior participação e defendem a valorização dos saberes ancestrais – agora reconhecidos como conhecimento científico.
À medida que a COP30 (Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) se aproxima, a mobilização se intensifica. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tem quase 1,7 milhão de indígenas. No Pará, a Federação dos Povos Indígenas do Estado estima 60 povos em 55 municípios: cerca de 80 mil vozes que querem ser ouvidas na conferência. Eles preparam um documento sobre o clima.
Alcebias Sapará, vice-coordenador da Coiab informa que a entidade está realizando uma pré COP com as autoridades indígenas da Amazônia brasileira, reunindo aspéctos que o povo vem enfrentando, como por exemplo a mudança de clima.
Concita Sompré admite o desafio de fazer o clamor indígena ecoar entre chefes de Estado, mas vê com otimismo a realização do evento na Amazônia:
"A gente sabe que a gente precisa ter mais atuação dentro do sistema. O que depender de um diálogo com o governo, tanto federal quanto estadual, a gente já está fazendo a nossa parte. A gente está visitando os territórios com as caravanas sobre COP para informar o que é uma COP, o que ela vai trazer de benefício para os povos indígenas, qual é o nosso papel dentro dessa COP e o que vamos fazer aqui em Belém."
Naldo Tembê, representante de 1.800 indígenas, relata: "Na nossa região, a gente tinha apenas 15 dias de verão. Hoje está chegando quase seis meses de verão, então naquela época que era só mata, e não tinha essa grande seca. A gente associa que de fato, o desmatamento faz com que haja descontrole. Muita gente está tendo alergia, não pode prover da água que fica muito suja através da poluição dos rios."
Adriana Ramos (Instituto Socioambiental - ISA) reforça: "A crise climática é causada por um certo modo de produzir e viver da nossa sociedade, e essas outras sociedades nos oferecem outros modos de produzir e viver que podem nos ajudar a sair dessa encruzilhada em que nós estamos hoje."
Ministra Sônia Guajajara destaca:
"É uma forma de trazer essa contribuição também para o científico, para que possamos encontrar as soluções para conter essa crise climática. Há uma grande expectativa para que a gente possa fazer essa COP dar certo."
A reportagem da TV Cultura do Pará, emissora da Rede Nacional de Comunicação Pública.
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