A crise energética em Cuba tem provocado apagões frequentes e dificuldades para a população. A falta de combustível e problemas na infraestrutura elétrica deixam milhões de cubanos sem energia por horas, às vezes dias.
Nas últimas semanas, a crise em Cuba voltou ao centro das atenções. A escassez de combustível e os problemas no sistema elétrico têm provocado apagões frequentes, principalmente na capital, Havana. À noite, a cidade fica quase às escuras. Em alguns pontos, a pouca luz que aparece vem de hotéis ou prédios que ainda conseguem manter energia. Mas é dentro das casas que o impacto da crise aparece com mais força. Muitas famílias enfrentam horas seguidas sem eletricidade e precisam improvisar para manter a rotina.
“O problema dos apagões está nos afetando seriamente. Principalmente as mulheres cubanas, que depois de um dia inteiro de trabalho chegam em casa sem energia e precisam buscar muitas alternativas”, conta a moradora Maricel Ramírez Pérez.
Como boa parte das famílias cubanas, Maricel convive com inflação, escassez de alimentos e a dificuldade de conservar o pouco que consegue comprar.
"Para preparar os alimentos, como agora que fiz o leite e a comida do meu filho no carvão. Muita gente cozinha com lenha, com o que tiver à mão, e isso realmente nos afeta”, desabafa ela.
A situação piorou na última semana, depois de uma falha na maior usina termelétrica da ilha. O problema provocou mais uma queda no sistema elétrico nacional e deixou grande parte do país sem energia.
“Estamos passando dificuldades. Não há petróleo, não há nada”, diz Catalina Solano Martínez.
Mesmo após o reparo emergencial da usina, o déficit estrutural continua. Hoje, o país não consegue produzir toda a energia de que precisa, resultado da escassez de combustível, da infraestrutura antiga e da falta de investimentos.
“Usamos um pouco de lenha, carvão quando aparece, e está caríssimo. Mas não podemos dormir sem comer. Às vezes acordamos de madrugada até para pegar um pouco de água”, relata Catalina Solano Martínez.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o bloqueio ao fornecimento de petróleo faz parte da política de pressão contra o governo cubano. Diante da crise, o governo de Cuba aposta agora na ampliação da energia solar. A meta é instalar mais de 1000 megawatts em parques solares até 2026, numa tentativa de reduzir a dependência de combustíveis importados.
*Reportagem da Telesur, Canal Latino-Americano e Caribenho.
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