Caminhos da Reportagem

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  • Deficientes e cidadãos: lutas e conquistas

    Caminhos da Reportagem apresenta avanços e desafios na luta por direitos de pessoas com deficiência a partir da primeira lei que criminaliza esse tipo de preconceito.

    Michele Simões: "Há uma série de cadeirantes que pensam em viajar e gostam muito de sair de casa. Quanto mais a gente sair, mais a gente vai ser visto, e mais as coisas vão melhorar.”Teresa Costa D'Amaral: “Pela primeira vez, o Estado reconhece sua responsabilidade em relação a esse segmento (de pessoas com deficiência.”De acordo com o último Censo divulgado pelo IBGE, em 2010, existem no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Organizadas em grupos ou de forma individual, elas estão cada vez mais empenhadas na luta por direitos essenciais: inclusão na escola e no mercado de trabalho, acessibilidade, saúde e acesso ao lazer e à cultura. Nessa jornada, a lei 7.853, aprovada em 24 de outubro de 1989, é um marco entre as conquistas do grupo.

    “Era preciso fazer uma lei consistente para que as questões do deficiente no Brasil fossem tratadas com respeito, com dignidade”, explica uma das autoras da lei 7.853, Teresa Costa D'Amaral, superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD).

    Avanços importantes ocorreram nos últimos 25 anos, como a incorporação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006, o ordenamento jurídico brasileiro e a aprovação da chamada Lei de Cotas. Mas ainda há muito a ser feito, de acordo com a representante do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro (Comdef-Rio), Izabel Maior, fisiatra e professora da Izabel Maior: "O Brasil hoje tem 22 ou 23 pessoas com a Síndrome (de Down) que já passaram pela universidade ou estão cursando.”Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ):
    “Muitos acreditam que uma pessoa com síndrome de Down, por exemplo, não é capaz de nada, precisa ser tutelada o tempo todo. Isso não é verdade."

    O Caminhos da Reportagem foi a Curitiba, referência em acessibilidade. Arquiteto, urbanista e ex-prefeito do município, Jaime Lerner destaca que a consciência de que o deficiente precisa se locomover com autonomia foi um fator determinante nas adaptações do espaço urbano. "A ideia em Curitiba foi permitir total independência, de tal maneira que o cadeirante pudesse usar o sistema de transporte como qualquer outra pessoa”, conta.

    O acesso adaptado e seguro nas cidades brasileiras para as pessoas com deficiência é uma batalha ainda em curso, Jaime Lerner: "Tudo o que a pessoa com deficiência quer é independência."longe de ser vencida, mas que ganhou uma importante aliada. Em 2013, a designer de moda Michele Simões criou o blog Guia do Viajante Cadeirante, com dicas para incentivar e facilitar as andanças de deficientes físicos como ela, além de compartilhar experiências.


    Reportagem: Vera Barroso
    Imagens: André Rodrigo
    Auxiliar técnico: Alexandre Souza
    Direção: Rafael Casé
    Edição de texto: Renata Cabral
    Editora-assistente e produtora: Carolina Pessôa
    Roteiro: Márcio Parente
    Produção executiva: Linei Lopes
    Edição de imagens: Fábio Melo
    Sonorização: Maurício Azevedo
    Arte: Julia Costa

     

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