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Especialistas discutem mercado audiovisual brasileiro

Programa recebe Débora Ivanov, diretora da Ancine

A produção nacional de longas-metragens, séries e games aumentou consideravelmente nos últimos anos. Estimulado pelas políticas de fomento, o setor audiovisual brasileiro continuou crescendo mesmo em tempos de crise econômica. Com um novo cenário político e econômico, qual será o futuro do mercado audiovisual no Brasil?

Para responder a essa pergunta, o programa Mídia em Foco, apresentado pela jornalista Paula Abritta na TV Brasil recebe nesta segunda (16), às 22h45, a diretora da Ancine, Débora Ivanov; o advogado Gilberto Toscano; e a jornalista Krishna Mahon, responsável pelo conteúdo de alguns canais de TV fechada.

A produção da emissora pública investiga diversos aspectos dessa indústria que, apesar da crise, continua em franca expansão no país e no exterior. Histórico, modelo de negócio, financiamento, exportação, mercado de games, produção regionais, questões de gênero e incentivo à participação feminina são algumas das perspectivas levantadas pelos convidados.

Modelo de negócio: financiamento público e recursos privados

Especialista no setor audiovisual, o advogado Gilberto Toscano alerta que a produção nacional independente ainda está condicionada aos recursos públicos para concretizar os projetos. "Nosso audiovisual brasileiro independente continua em grande medida dependente de financiamento público", adverte.

O advogado sugere outros modelos de negócio. "O produtor não deve fazer uma associação automática entre querer produzir e financiamento público. Precisa olhar o financiamento de uma forma mais ampla, com uma gama de possibilidades. Pensar em financiamento privado como pré-venda, permuta e crowdfunding", enumera algumas oportunidades de negócio.

Os convidados também apontam para os novos caminhos do audiovisual. De acordo com Débora Ivanov, diretora da Ancine, o advento das novas tecnologias estimula o público a ficar mais exigente. "O audiovisual cresce independente da crise e no mundo inteiro. Os estudos apontam que a tendência do entretenimento é de crescimento Com a convergência das mídias, o consumidor, quer cada vez mais conteúdo e quer conteúdo original", destaca.

"O entretenimento é um setor em expansão. Em momentos de crise econômica, ele não é diretamente atingido porque tem um potencial reprimido muito grande em países com deficit de infra-estrutura", completa Gilberto Toscano.

Já a jornalista Krishna Mahon, diretora de conteúdo dos canais History, A&E e Lifetime, reflete sobre o semento não só sob o prisma do trabalho autoral, mas também a partir da perspectiva do audiovisual como negócio.

"A gente está deixando de pensar só no autoral para olhar como negócio porque a gente é um negócio. O audiovisual, quanto mais você faz, assim como no esporte, melhor você fica naquilo", analisa.

Exportação de conteúdo: dramaturgia e infantil

Outro tema abordado pelos especialistas no programa da TV Brasil é o potencial de exportação das obras. Se por um lado a dramaturgia brasileira é referência, por outro o idioma é uma barreira. Essa inserção no mercado internacional pode ocorrer de várias formas. Uma delas é a participação nos grandes festivais.

A produção para o público infantil, incluindo os desenhos para televisão, merece atenção especial."A animação tem uma vantagem. O conteúdo infantil é fácil dublar. São os produtos que mais circulam", explica Débora Ivanov.

A jornalista Krishna Mahon debate esse consumo. "Uma criança assiste 'zilhões' de vezes o mesmo episódio e outra da mesma idade também vai consumir aquele conteúdo. Isso te dá uma possibilidade de licenciamento de boneco, caderno, mochila e tantos outros ítens. Isso vira um negócio gigantesco", afirma.

Indústria de games

O número de desenvolvedores de games no Brasil cresceu 600% em oito anos. Só em 2016, o faturamento do setor foi de 1,6 bilhão de dólares. Hoje existem aproximadamente 300 empresas de games no país.

"O setor está crescendo muito e no mundo fatura mais que as salas de cinema. Nós precisamos investir e criar projetos de lei que fortaleçam essa produção nacional. É um mercado que a gente precisa entender como audiovisual. A diferença é que ele é interativo. Precisamos fortalecer a formação de jovens, o investimento e ações de exportação", recomenda Débora Ivanov.

Para o advogado Gilberto Toscano é importante aproveitar esse potencial. "A industria de games e de vídeo por demanda, um conteúdo tradicional e uma janela 'nova', são novas fronteiras que podem contribuir muito com o crescimento do nosso mercado e a consolidação de uma indústria".

Questões de gênero, raça e incentivo às produções regionais

Os especialistas que participam dessa edição do Mídia em Foco abordam também o estímulo à produção audiovisual das diversas regiões do país. "Sou mega a favor da descentralização", ressalta Krishna Mahon, diretora de conteúdo dos canais History, A&E e Lifetime.

"Vejo uma efervescência no Recife, o cone está cada vez mais forte, produtoras do Sul estão bombando com produções cada vez melhores. Que legal que o Fundo Setorial olhou para isso de outra forma e conseguiu adaptar de tal forma que o modelo de negócio fique mais atrativo para todos os players", completa.

O advogado Gilberto Toscano explica a dinâmica do setor. "No Fundo Setorial, o investimento é concretizado por meio de editais. Em todos eles, existe previsão, uma reserva para a regionalização. Existem incentivos nesse sentido. Em determinado edital pelo menos 30% do valor precisa beneficiar produtoras do Norte, Nordeste e Centro-Oeste; e pelo menos 10%, produtoras do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais".

Débora Ivanov também analisa o assunto. "A questão de gênero e raça é grave. Assim como era a questão regional também. Poucos cineastas formados em outros cantos do pais tinham acesso a essa produção. Desejo não faltava. Tinha dificuldade de acesso", avalia.

A diretora da Ancine destaca a importância de valorizar as produções realizadas por muheres e negros. "Na questão de gênero e raça, a gente tem uma dificudade muito grande. Menos de 20% de mulheres dirigiram ou roteirizaram filmes em 2016. Mulheres negras, nenhuma. As mulheres negras não apareceram nem na produção executiva onde elas têm mais espaço, em todo de 40%".

A jornalista Krishna Mahon também comenta a participação feminina no audiovisual. "Ainda tem um caminho a ser trilhado. Os canais e a produtoras ainda são muito geridas por homens. Então enquanto a gente não tem mulheres nos papeis de decisão, com dinheiro na mão, 'dinheiro é poder', isso ainda precisa crescer, mas estamos no caminho certo".

A ascensão do mercado audiovisual no Brasil fica evidente na quantidade e na qualidade de produções para cinema, televisão e internet. Nunca tivemos tanta diversidade de produtos produtos nacionais nos mais diversos meios. Apesar disso, ainda há muito a melhorar na infra-estrutura do setor, na distribuição de conteúdo e no aperfeiçoamento das políticas públicas.

Histórico do audiovisual: encantamento que se torna negócio

O audiovisual estimula os sentidos da audição e da visão de forma simultânea. Essa magia encanta o público desde os primórdios do cinema no final do século XIX e logo se tornou um negócio lucrativo. No século seguinte, o mercado audiovisual se consolidou incluindo TV, vídeo, games e internet.

Hoje, o setor movimenta anualmente mais de um trilhão de reais no mundo e bilhões de reais no Brasil. O mercado audiovisual brasileiro começa a despontar a partir de 1907 com a estruturação de salas de cinema no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Nesse período havia algumas dezenas de salas em todo país. Atualmente, há mais de três mil salas de cinema, produzimos centenas de filmes por ano, além de séries, animações, novelas e games.

O setor audiovisual no Brasil vive um bom momento, mas nem sempre foi assim. Os convidados traçam um panorama histórico sobre o mercado no país, recordam períodos de crise, comentam a retomada e as novas legilações.

A ascensão desse mercado no Brasil fica evidente na quantidade e na qualidade de produções audiovisuais para cinema, televisão e internet. Nunca o país teve tanta diversidade de produtos produtos nacionais nos mais diversos meios. Apesar disso, ainda há muito a melhorar na infra-estrutura do setor, na distribuição de conteúdo e no aperfeiçoamento das políticas públicas.

Sobre o Mídia em Foco

O Mídia em Foco oferece uma janela na televisão aberta para se pensar os rumos da comunicação. No ar em uma emissora pública, a TV Brasil, o programa apresentado pela jornalista Paula Abritta trabalha com uma linguagem documental para abordar temas diversos.

Estão no escopo da atração as novas tendências de mercado, produção do conteúdo, evolução das tecnologias, convergência das mídias, regulação e consumo nos dias de hoje e as expectativas para o futuro.

A história dos meios de comunicação e a sua influência na sociedade contemporânea são algumas das perspectivas que o Mídia em Foco busca contemplar.

A proposta do programa jornalístico é estimular que o telespectador desenvolva uma visão crítica e possa refletir sobre o que observa na mídia. Acadêmicos, profissionais e especialistas na área discutem o passado, presente e futuro da imprensa, cinema, televisão, rádio e internet.

Serviço:
Mídia em Foco – segunda-feira (16), às 22h45, na TV Brasil.
Mídia em Foco – domingo (22) para segunda-feira (23), à 0h30, na TV Brasil

Da Gerência de Comunicação Institucional
Empresa Brasil de Comunicação - EBC
Contato: (21) 2117-6818

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