O último dia oficial da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, está sendo marcado por uma corrida nas negociações. São os últimos debates em busca de um acordo para um documento final do evento.
Os negociadores já começam a comemorar alguns pontos que já são consenso, que estão no rascunho final e que não vai dar muito problema na hora da votação. Por exemplo, o desmatamento zero.
Os negociadores estão chegando a um consenso para o desmatamento zero até 2030 e a recomposição de florestas degradadas.
Com o incêndio ocorrido nessa quinta-feira na Zona Azul do evento, o que atrasou as negociações, a expectativa é que a COP30 se prolongue até o fim de semana.
A TV Brasil falou com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Ela afirmou que é importante ter o tempo necessário para se chegar a um consenso e para trazer bons resultados não só para o Brasil, mas para todo o mundo.
“O Brasil tem a liderança da COP, mas quem vai conseguir esses resultados todos de ser a COP da verdade, a COP da implementação, são os 196 países que estão aqui. Não é um processo unilateral, é, por natureza, multilateral. E o país anfitrião é líder, mas é, sobretudo, facilitador das negociações para que tenhamos os melhores resultados”.
Rascunho sem combustíveis fósseis
As negociações voltaram a acontecer na Zona Azul na manhã desta sexta-feira, por volta de 11h. Os envolvidos na conferência foram convocados pelo presidente da COP30, André Corrêa do Lago, para se unirem em um esforço comum para avaliar o rascunho do acordo que foi divulgado pela manhã.
A plenária começou com os países verificando o rascunho, dizendo se concordam ou não concordam, quais são os pontos que não concordam, para que avancem nas negociações.
Ela foi convocada pelo presidente da COP30 como um grande mutirão para se chegar nas decisões para as mudanças climáticas. Quem participou foram os ministros, os chefes de Estado e os delegados envolvidos nas decisões principais desse acordo.
Para alguns especialistas o rascunho é fraco, porque deixou de lado a temática que o presidente Lula pediu e que tinha apoio de 82 países: a política sobre combustíveis fósseis.
O ritmo da COP
Apesar das críticas sobre o preço dos aluguéis e dos alimentos, Belém do Pará recebeu os participantes da Conferência do Clima com riqueza cultural e a simpatia do paraense. E se a COP30 tivesse um ritmo oficial, o primeiro que vem à mente de muitos é o carimbó.
Patrimônio cultural e imaterial do Brasil, o carimbó é uma mistura de influências indígenas, africanas e europeias. A dança é feita em pares, em que as mulheres usam saias longas e coloridas sob o compasso marcado com os tambores e o som marcante do sax.
“Aqui é uma complexidade cultural muito grande. Carimbó, muito bem representado pelo mestre Pinduca. Tecnobrega também, aqui nas ruas das periferias de Belém. Essa mistura de ritmos é de fundamental importância para o crescimento. Faz a cara da COP”, opina o engenheiro florestal Ruan Ramos.
E é no ritmo dos maracas e dos tambores que o carimbó chega na COP mostrando a força do povo da região, e dá a essa Conferência do Clima a cara e a voz do povo do Norte do Brasil.
“É uma maneira de fazer ser ouvida através da música. Eu acredito que é um manifesto de paz, de amor”, afirma a mestra de carimbó Sandra Silva.
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