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No rastro da poesia, no Caminho de Cora

Reportagem percorre trajeto recém-inaugurado em homenagem à poetisa

Caminhos da Reportagem

No AR em 23/08/2018 - 21:45

Um trajeto cercado de natureza e poesia. Assim é o Caminho de Cora Coralina, que atravessa o interior do estado de Goiás. Inspirado no Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, o trajeto ainda é recente, foi inaugurado em abril deste ano, e tem atraído turistas de diversas partes do Brasil e do exterior.

O Caminho de Cora Coralina tem 300 quilômetros, passa por oito municípios e tem como pontos de partida e de chegada a Cidade de Goiás e Corumbá de Goiás. Os moradores das localidades que fazem parte do trajeto se prepararam para acolher os visitantes: oferecem refeição, pouso, café da manhã e uma boa conversa. Joaquim Pontieri, conhecido como Quinzinho, é um deles. Mostra com orgulho os quartos preparados para receber os peregrinos e fala com alegria de Cora e do caminho que leva o nome dela. “Essa palavra Cora Coralina pra mim já é uma poesia. É uma mulher lutadeira, que foi uma desbravadora”. Para receber os caminhantes, Seu Quinzinho cobra R$ 80 por pessoa. Na primeira vez que recebeu R$ 480, concluiu que o valor arrecadado em um dia corresponde à venda de 700 litros de leite.

Portal do Caminho de Cora Coralina em Corumbá de Goiás
Portal do Caminho de Cora Coralina em Corumbá de Goiás - Divulgação/TV Brasil

O diretor de planejamento da Goiás Turismo, João Lino, explica que um dos objetivos da criação do Caminho de Cora é contribuir para a fixação das pessoas em seus povoados, nas comunidades e nas fazendas. “O turismo pode contribuir muito com isso. Quando você passa por Palestina, quando você vai a Alvelândia, Radiolândia, Caxambu - povoados que às vezes não tinham nenhuma identidade turística -, a partir do momento que você integra isso a uma região, um produto de território, um produto regional, você ativa todas essas comunidades e acaba unindo elas também”, diz.

O produtor rural Joaquim Pontieri "Quinzinho" e sua esposa, dona Creuza
O produtor rural Joaquim Pontieri "Quinzinho" e sua esposa, dona Creuza - Divulgação/TV Brasil

A equipe do Caminhos da Reportagem conheceu o trajeto e, nele, ciclistas e peregrinos cheios de histórias para contar. Mário e Marina Castelani começaram a desbravar a pé novos caminhos após Mário passar por um grave problema de saúde. Juntos, já percorreram milhares de quilômetros e é assim que eles dizem redescobrir a vida. “Eu tive um problema de obesidade, inclusive aliado ao alcoolismo que quase me destruiu. Felizmente eu tive um pré-infarto que me alertou pra vida, que eu tinha que mudar”, conta Mário.

Nossa equipe também esteve no Museu Casa de Cora Coralina, localizado na Cidade de Goiás, terra natal da poetisa. O museu fica na casa onde Cora passou parte de sua vida. Lá estão os objetos pessoais, os textos e a memória da doceira que amava as palavras. Apesar de ter seus textos publicados em jornais e revistas desde os 14 anos, principalmente em São Paulo, o primeiro livro de Cora Coralina só foi publicado em 1956, quando tinha quase 70 anos de idade.

Os peregrinos Marina e Mário Castelani no Caminho de Cora
Os peregrinos Marina e Mário Castelani no Caminho de Cora - Divulgação/TV Brasil

Marlene Velasco, diretora do museu, foi quem selecionou as 70 poesias escritas por Cora Coralina e que estão espalhadas pelo caminho. “Eu separei poesias que falam do meio ambiente porque Cora era uma grande ambientalista, ela fala do meio ambiente, fala de superação, fala de acreditar nos valores humanos”, observa.

Ao falar sobre o Caminho, Paulo Salles, um dos netos de Cora, afirma que nesse trajeto as pessoas se encontram e encontram as próprias raízes. “Eu acho que as pessoas que se dispõem a fazer essa caminhada, elas têm essa oportunidade de um encontro com o Brasil antigo, um Brasil que foi as raízes da nossa cultura e de se colocar numa situação de quem tá indo numa direção que termina o caminho oficialmente na casa velha da ponte, que foi o caminho de volta de Cora Coralina também”.

 

Ficha técnica

Reportagem: Maranhão Viegas
Imagens: Sigmar Gonçalves
Apoio às imagens: André Rodrigo Pacheco e Rogerio Verçoza
Auxílio técnico: Hugo Madureira
Apoio ao auxílio técnico: Dailton Matos e Edivan Viana
Produção: Mariana Fabre
Edição de texto: Suzana Guimarães
Edição de imagens e finalização: Henrique Corrêa
Arte: Julia Costa
Apoio TV UFG: Marcelo Pedro e Rogério Honório
Agradecimentos: Bismarque Villa Real, Marcelo Barra e Museu Casa de Cora Coralina
 

Tags:  Cora Coralina

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