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Memória da Ditadura

Caminhos da Reportagem traz memórias de uma época em que o Brasil

Caminhos da Reportagem

No AR em 21/03/2014 - 01:00

Sede da União Nacional dos Estudantes (Une) – 1964Brasil, 1964. Os militares derrubam o presidente João Goulart e assumem o poder. Um golpe ensaiado por pelo menos dez anos. “Desde a década de 50, há a formação no país de uma articulação militar e civil que sucede a 2ª Guerra e que é anti-getulista, que tem a intenção de não permitir, de afastar, de atrasar a entrada do povo, das massas, na política”, afirma a integrante e ex-coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Maria Cardoso.

Jango e seu filho, João Vicente, no exílioA ditadura se prolonga por 21 anos, mas ainda há muito a ser contado sobre esse período. O Caminhos da Reportagem lembra fatos que marcaram essa história e mostra como era o país antes e logo depois do golpe. Também investiga a resistência civil e a repressão na cidade e no campo. Militares que participaram dos órgãos de repressão fazem revelações sobre tortura e mortes de militantes. Pessoas que lutaram pela democracia contam das marcas do passado e do desejo de reparação.

As reformas de base propostas por Jango são aplaudidas pelos sindicatos e ligas camponesas, organizações que vinham ganhando força no início dos anos 60. Para Raphael Martinelli, ex-dirigente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), as reformas “eram coisas que a sociedade estava pedindo. E o Jango estava acompanhando e cedendo democraticamente. Ninguém tinha a intenção de tomar o poder.”

As atitudes do presidente eram vistas como uma ameaça por uma parcela da sociedade.“Houve um clamor popular, da imprensa, da igreja, dos partidos políticos, exigindo que se desse um fim àquela situação anormal que o país vivia. Tínhamos centenas de greves por ano, a economia se descontrolando totalmente, justifica o general Bandeira, do exército.”

João Vicente Goulart, filho de JangoNo mundo dividido pela Guerra Fria, os Estados Unidos tinham planos para blindar a América Latina contra o comunismo e deram suporte ao golpe militar no Brasil. “Hoje, 50 anos depois, esse é o grande triunfo de João Goulart: não ter resistido, não ter conduzido o país a uma guerra civil fratricida, com a quarta frota americana dentro da costa brasileira, com o governo americano pronto pra reconhecer o governo mineiro e se preparar para uma luta prolongada e inclusive a divisão territorial do nosso país”, afirma João Vicente Goulart, filho de Jango.


Reportagem: Ana Graziela Aguiar
Imagens: André Pacheco, Geylson Paiva, José Carlos Soares, Jorge Brum, Marcelo Magalhães, William Sales
Auxiliares: Alexandre Souza, Diogo Nunes, Jairom Rio Branco, José Aderaldo, Lion Arthur, Lucas Gomes, Tyago Brandão
Produção: Mariana Fabre, Beatriz Abreu
Apoio à produção: Carolina Mulatinho (RJ), Cátia Rodrigues, Débora Brito, Fernanda Balsalobre (SP), Flávia Lima, Oussama El Ghaouri, Vanessa Casalino (SP)
Edição de texto: Ana Maria Passos, Paulo Barbosa
Edição de imagem: Jerson Portela, Fabio Lima
Arte: Dinho Rodrigues, Antonio Trindade 

 




Criado em 14/03/2014 - 19:14 e atualizado em 26/03/2014 - 15:44

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