O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), tombou, em definitivo, o edifício-sede do antigo Departamento de Ordem Política e Social da Ditadura, (DOPS), no Rio de Janeiro. O processo tramitou por mais de uma década.
Inaugurado em 1910, o prédio no centro do Rio de Janeiro foi a sede de diferentes polícias encarregadas de reprimir movimentos e expressões sociais entendidos como ameaças à ordem pública.
Entre 1962 e 1975, foi a casa do antigo DOPS. Foi um espaço para prisão e tortura de presos políticos considerados opositores da ditadura militar. Além de movimentos sociais suspeitos, também foram alvos da repressão do DOPS mulheres, negros e religiosos de matriz africana.
Pela relevância histórica, o Iphan decidiu pelo tombamento definitivo das instalações.
Por meio do tombamento federal, celas e salas que eram usadas para interrogatório durante a ditadura militar ainda guardam marcas e inscrições feitas pelos presos políticos. Algumas instalações têm até tratamento acústico para que os gritos dos torturados não fossem ouvidos.
Enquanto parte das instalações se deteriora com o tempo e a falta de conservação, a destinação do prédio ainda é um impasse entre movimentos sociais e a Polícia Civil do estado do Rio. O órgão do estado pretende construir no espaço um museu da instituição, enquanto movimentos como o Ocupa DOPS lutam para que a edificação se torne um lugar de memória sensível.
Das violações de direito do estado brasileiro e da luta de diversos presos pela abertura política do país, o Ministério Público Federal já se manifestou favorável à construção de um centro de memória e direitos humanos para a educação, justiça e luta contra o autoritarismo.
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