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O céu de lá

Artistas criam obras que expressam relatos de migrantes brasileiros

DOC Especial

No AR em 12/06/2018 - 05:30

A série aborda o tema da migração na história da formação do Brasil, focalizando a questão do registro, do retrato, da representação das memórias dos migrantes. Uma vez que os migrantes trazem em suas memórias imagens da história do país, o documentário registra descrições feitas por migrantes e convoca artistas para retratarem tais descrições. O Céu de Lá pretende mostrar a qualidade dos artistas populares brasileiros, sua sensibilidade em representar o Brasil, e ao mesmo tempo, valorizar a memória e a herança cultural dos migrantes que vivem nas metrópoles do país. Para tanto, apresenta artistas que gozam de certo reconhecimento, e que, além de afinidade estética, têm propriedade em relação ao tema. A série chama atenção para a experiência de migração na vida dos próprios artistas, e articula as interações entre artistas e migrantes, numa sequência de descrições e retratos que conecta os episódios.

Artistas criam obras que expressam relatos de migrantes brasileiros
Artistas criam obras que expressam relatos de migrantes brasileiros - Divulgação/Imago Filmes

A série foi produzida com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, como parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual (Prodav/TVs Públicas).

Migrante: Cristina Agostinho - de Ituiutaba/MG
Artista: Gabriel Esper - grafite (pintura mural)

Cristina Agostinho vive em Belo Horizonte, onde trabalha como escritora. Cristina descreve suas memórias de um lugar distante no tempo e no espaço. Histórias e paisagens de uma cidade do interior de Minas, cinco décadas atrás. Cristina fala da pequena Ituiutaba, no triângulo mineiro, e da sua infância e juventude. Ela conta por que migrou, aos 27 anos, para a capital do estado. As imagens descritas verbalmente por Cristina contrastam com as imagens da metrópole em que ela se encontra.
O artista Gabriel escuta a gravação da voz de Cristina, descrevendo o cenário que deixou para viver em uma metrópole. Gabriel escuta a gravação repetidas vezes, enquanto começa a criar uma nova obra, usando latas de tinta spray, sobre um muro, em algum bairro da região metropolitana de BH. Em algumas horas, Gabriel finaliza um mural, que interpreta a descrição feita por Cristina.
O mural pintado por Gabriel é apresentado a Cristina, que comenta se reconhece elementos da paisagem da sua memória na obra. Gabriel e Cristina Agostinho se encontram pela primeira vez e conversam sobre a experiência. Gabriel fica sabendo qual é o lugar descrito por Cristina e conta à escritora que ele também é um migrante, vindo do interior de São Paulo.

Migrante: Gabriel Esper - de Botucatu/SP
Artista: Damasceno - pintura

Gabriel Esper mora em Belo Horizonte, onde trabalha como artista gráfico e arte-educador. Gabriel descreve suas memórias do lugar onde cresceu, no interior de São Paulo. Ele conta por que a família deixou Botucatu quando ele tinha 6 anos, para morar em uma cidade grande. As imagens descritas por Gabriel contrastam (ou se assemelham) com as imagens da metrópole onde ele mora.
O artista José Damasceno Teles escuta a gravação da voz de Gabriel, em que descreve o cenário que deixou. Damasceno começa a pintar um quadro, em seu atelier em Contagem, região metropolitana de BH, na tentativa de retratar a paisagem descrita por Gabriel.
O quadro pintado por Damasceno é apresentado a Gabriel, que comenta se reconhece na pintura elementos da sua paisagem de origem.
Gabriel e Damasceno finalmente se encontram e conversam sobre a experiência. Damasceno fica sabendo que o lugar descrito é Botucatu/SP. Gabriel mostra-lhe fotos da sua infância no interior de São Paulo. O pintor Damasceno conta que ele é filho de migrantes, vindos de Barbacena, interior de Minas.

Migrante: Fernanda Rodrigues – Interior de Minas/MG
Artista: Pablo Rodrigues - grafite (pintura mural)

Fernanda é atriz e mora em Belo Horizonte. Ela descreve como era sua infância no interior de Minas. O artista Pablo escuta a gravação da voz de Fernanda, descrevendo o cenário que ela deixou. Pablo escuta a gravação repetidas vezes, enquanto cria uma nova obra. Após desenhar um esboço, Pablo trabalha com latas de tinta spray sobre um muro, em algum bairro da região metropolitana de BH. Pablo faz um grafite que interpreta visualmente as imagens descritas na gravação.
O mural pintado por Pablo e apresentado a Fernanda que comenta se reconhece no grafite algo da paisagem da sua memória.
Fernanda e Pablo finalmente se encontram, e conversam sobre a experiência. Pablo fica sabendo que o nome da cidade descrita.

O céu de lá registra memórias através de desenhos
O céu de lá registra memórias através de desenhos - Divulgação/Imago Filmes

Migrante: Pablo Rodrigues - de Três Marias/MG
Artista: Willi de Carvalho - pintura-objeto

Pablo Rodrigues mora em Belo Horizonte, e trabalha como artista gráfico e arte-educador. Pablo descreve suas memórias da sua infância na pequena cidade de Três Marias, vinte anos atrás. Pablo conta por que a família deixou o interior de Minas quando ele tinha 12 anos de idade e migrou para a capital do estado. As paisagens descritas por Pablo contrastam (ou se assemelham) com as imagens da metrópole em que ele se encontra.
O artista Willi de Carvalho escuta a gravação da voz de Pablo, descrevendo o cenário que deixou para viver em Beagá. Willi escuta a gravação repetidas vezes, enquanto cria uma nova obra, em seu atelier no bairro Caiçara, em Belo Horizonte. Usando diversos materiais e técnicas, Willi interpreta visualmente a descrição que escuta, na voz de um estranho, de um lugar distante, ao lado de uma grande represa.
A pintura-objeto feita por Willi é apresentada a Pablo Rodrigues, que comenta se reconhece algo da paisagem da sua memória na obra.
Willi e Pablo finalmente se encontram, e conversam sobre a experiência. Willi fica sabendo qual é o lugar descrito na gravação. Pablo mostra-lhe objetos de acervo pessoal ou familiar, principalmente fotos de Três Marias, da época em que viveu lá. Pablo conta que também é artista, Willi conta a Pablo que ele também é um migrante, vindo do interior de Minas.

Migrante: Willi de Carvalho - de Montes Claros/MG
Artista: Sávia Dumont (Matizes Dumont) - bordado

Willi de Carvalho mora em Belo Horizonte no Bairro Caiçara, onde trabalha como artista. Willi descreve suas memórias de sua terra de origem, Montes Claros, cidade do norte de Minas, trinta anos atrás. Willi fala da cidade, da sua infância e juventude, e conta por que, aos 17 anos, migrou para uma metrópole.
A artista bordadeira Sávia Dumont escuta a gravação da voz de Willi, em que descreve o cenário que deixou. A família de Sávia também escuta a gravação. Demóstenes, o irmão, faz um desenho que interpreta a paisagem descrita por Willi. Sávia começa a bordar sobre o desenho no tecido, juntamente com as irmãs e sobrinhas. As linhas bordadas dão ao desenho cor, textura, luz, movimento. A família trabalha em Brasília e Pirapora.
O bordado feito pela família Dumont é apresentado a Willi de Carvalho, que comenta se reconhece algo da paisagem da sua memória na obra.
Willi encontra-se com Sávia Dumont, eles conversam sobre a experiência. Sávia fica sabendo que o lugar descrito na gravação é Montes Claros. Willi mostra fotos da cidade e da família, da época em que viveu lá. Sávia conta que ela também é uma migrante, vinda do interior de Minas Gerais.

Região: MG - Sudeste
Direção: Xande Pires e Rodrigo Campos
Produção: Imago Filmes

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