Uma professora de São Paulo foi eleita a mais influente do mundo em um prêmio da Varkey Foundation, a fundação internacional dedicada à valorização de profissionais de educação. A premiação aconteceu em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e foi resultado de um projeto de robótica para estudantes de escola pública desenvolvido na periferia da capital paulista.
A proposta é simples e potente: recolher lixo das ruas e transformar o material em aprendizado. Com sucata, os alunos construíram uma maquete de casa automatizada, produziram o sistema solar, fizeram uma escova com mecanismo semelhante ao de um aspirador de pó robô e até uma mão biônica.
“A gente tirou uma tonelada de lixo das ruas de São Paulo, transformando em diferentes protótipos. Mas ele trouxe também resultados pautados na aprendizagem. Nós saltamos de um Ideb de 4,2 na média de anos finais para 5,2 no ano de 2019, além de combatermos 95% do trabalho infantil e 93% da evasão escolar da escola”, conta a professora.
A professora de português Débora Garofalo, mergulhou na tecnologia. Uma tonelada de materiais recicláveis foi retirada das ruas e transformada em conhecimento. Em 2019, veio o primeiro grande reconhecimento internacional, um prêmio considerado o Nobel da Educação.
“E a partir disso, o trabalho ganha uma dimensão muito maior. Eu fui para a Secretaria Estadual de Educação para coordenar a área de Tecnologia e Inovação, e levar esse trabalho para 5.400 escolas e 3,7 milhões de estudantes, como currículo de tecnologia e inovação no Estado de São Paulo, ainda pioneiro no ano de 2019”, explicou Débora.
Mais de 2.000 estudantes participaram diretamente do projeto que unia a robótica, a ciência e a responsabilidade social.
“Eu vou ser sincera, eu não gostava de informática, só que quando eu comecei a ter aula com ela foi incrível. Eu comecei… eu gostava de ter. Eu ficava ansiosa para ter aula com ela”, lembra a estudante Giovana Novaes, de 17 anos.
O projeto que começou na periferia de São Paulo se tornou política pública no estado. A robótica e a inovação passaram a integrar o currículo e chegaram a quase quatro milhões de estudantes. A nova disciplina impulsionou a criação do Centro de Inovação da Educação Básica, espaços voltados ao ensino de robótica e inovação. Hoje, são 18 núcleos que podem ser usados por alunos das redes estadual e municipal.
Débora mudou o ensino em São Paulo e se tornou um exemplo para o país e para o mundo. Neste ano, foi eleita pela Varkey Foundation a professora mais influente do planeta. A premiação aconteceu em Dubai e reconhece educadores que promovem impacto real dentro e fora da escola.
“Hoje nós temos 82,9% dos estudantes, pelo Censo, sentados nas escolas públicas brasileiras. Então, essa educação tem que dar muito certo. Eu acho que o prêmio vem coroar. E quando eu subi naquele palco, eu não subi individualmente; eu subi coletivamente com tantos colegas e tantos estudantes que fazem a educação pública no nosso país”, concluiu a premiada.
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