Digite sua busca e aperte enter

Compartilhar:

Artista plástico Roberto Camasmie fala da carreira e processo criativo

“A arte tem que estar na mão do povo e não só de uma elite”, defende

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 13/08/2018 - 21:15

Com 50 anos de carreira, o paulista Roberto Camasmie é um dos mais renomados artistas plásticos do país. Descendente de família sírio-libanesa, já retratou personalidades como Jaqueline Onassis, Sophia Loren, Catherine Deneuve, e até mesmo a princesa Diana. Além de seus famosos retratos, pinta bonecas, flores, madonas, animais, santas, cidades, paisagens e imprime sua marca numa série de produtos que ficam à disposição para licenciamentos, como abajures, malas, agendas, joias, bolsas e até tupperwares. Para Camasmie, a arte tem que ser popular. “A arte tem que estar na mão do povo e não só de uma elite”.

Aos mais eruditos, que acreditam que a arte é para poucos, Camasmie manda um recado: “A arte não se entende. A arte se gosta ou não. Essa história de parar na frente de um quadro e dizer que não entende nada de arte é burrice. Ou você gosta ou não da obra.”

Roberto Camasmie conversa com Roseann Kennedy em sua galeria de arte em São Paulo
Roberto Camasmie conversa com Roseann Kennedy em sua galeria de arte em São Paulo - Divulgação/TV Brasil

Nesta Conversa com Roseann Kennedy, o artista plástico fala de sua trajetória profissional, do seu processo criativo e de um projeto de realitty show que terá como foco a produção artística. Ele também relembra o início de sua carreira de sucesso. “Eu comecei muito cedo, com 11 anos de idade, criando a Capela Sistina no 'puxado' da casa da minha avó.” Para Roberto, o processo de criação vem da alma. Ele diz que, diferente de seguir uma profissão de médico ou de arquiteto, as quais se aprimoram na carreira e tornam-se profissionais, com o artista o processo é diferente. “Eu comecei sem nenhuma orientação. Eu acho que o artista nasce artista, ele não se torna um artista”.

Em sua galeria na esquina da Bela Cintra com a Lorena, região paulistana dos Jardins, as obras de Camasmie ficam sempre à mostra. E com frequência, pedestres e interessados em arte conseguem acompanhar parte de suas produções pelas vitrines. Com bom humor, Roberto revela que já foi plagiado, mas diz não se importar com isso. “Tudo que é plagiado é um sucesso. Porque o sucesso é plagiado. Não me incomoda em nenhum momento. Eu acho que se faz sucesso, tem que ser copiado. Porque se não faz sucesso, ninguém vai querer copiar. Eu acho ótimo isso!”

Roberto Camasmie é um dos mais renomados artistas plásticos do país
Roberto Camasmie é um dos mais renomados artistas plásticos do país - Divulgação/TV Brasil

Do nanquim ao tecido, utilizando vários elementos inusitados em suas obras, como vinho, chocolate e o singelo lápis de cor, Camasmie é incansável e brinca com a sua própria compulsividade quando se trata de criar novas obras. “Eu preciso é parar um pouco de criar, porque não tenho mais espaço. São quatro, cinco, seis obras por dia! Porque são peças grandes que eu produzo. Mas eu acho que a minha vida é essa”, desabafa. Por fim, o artista brinca anunciando o fim de sua carreira: “ Eu acho que só vou parar lá na Consolação. Sabe onde é a Consolação? No cemitério da Consolação." E dá boas risadas. "Enquanto isso, eu vou estar mexendo e criando.”

Ultimas

O que vem por aí