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Ruy Ohtake defende o papel social da arquitetura

Arquiteto e urbanista usa a arte para resolver problemas urbanos

Conversa com Roseann Kennedy

No AR em 06/08/2018 - 21:30

Considerado um dos gigantes da arquitetura brasileira, com mais de 300 obras realizadas no Brasil e no exterior, o paulistano Ruy Othake usa a sua arte para resolver problemas urbanos e sociais. De sorriso gentil e incansável no auge de seus 80 anos, o arquiteto e urbanista aposta em cidades mais democráticas e coloridas, com espaços de convivência e menos desigualdade.

Ohtake defende o papel social da arquitetura e é enfático ao criticar a falta de política para moradias no país: “Eu acho que o Brasil poderia dar condições melhores de projetos de habitação, principalmente, para comunidades mais carentes”. Para ele “a arquitetura tem a função de dar uma dignidade de moradia pra todo mundo. Seja em comunidades mais carentes, seja em bairros mais sofisticados. Essa dignidade é um direito à vida que todos nós temos que ter. ”

O arquiteto e urbanista Ruy Ohtake é o convidado desta Conversa com Roseann Kennedy
O arquiteto e urbanista Ruy Ohtake é o convidado desta Conversa com Roseann Kennedy - Divulgação/TV Brasil

Ele usa a arquitetura para transformar realidades, sobretudo de populações mais carentes. O arquiteto assina projetos variados que vão desde embaixada, escolas, hotéis, cinemas, edifícios, espaços de convivência e obras públicas de cunho social. Exemplo disso é o complexo de oito prédios de apartamentos populares em forma cilíndrica, conhecidos como “redondinhos”, entregues em Heliópolis (SP). São construções que resgatam a dignidade de uma das comunidades mais carentes de São Paulo.

Para Ohtake, a arquitetura é uma manifestação ideológica. “Ela é ideológica, quase que uma ideologia de vida. O mesmo direito que qualquer cidadão tem em relação à educação e saúde, tem também em relação à habitação.”

O urbanista recebeu a equipe do 'Conversa com Roseann Kennedy' em seu escritório na capital paulista e conversou sobre seus projetos, suas influências e vida pessoal. Filho da artista plástica Tomie Ohtake, ele diz que sempre conviveu com a arte dentro de casa e recebeu influência positiva da mãe ao vê-la pintando quadros todos os dias. “Uma coisa que eu aprendi com ela foi a intuição. Todo mundo tem intuição e eu aprendi que eu tinha que desenvolver essa intuição e não ter medo de errar”.

Quando fala de suas inspirações e de sua capacidade criativa, ele diz que o que mais o emociona são “as coisas bonitas, as coisas inesperadas e as coisas inusitadas”. E explica: “Por exemplo, a linha reta é uma linha previsível. A linha ondulada é a fantasia. É a fantasia que eu gosto”.

“A arquitetura tem a função de dar dignidade de moradia para todo mundo”, defende Ruy Ohtake
“A arquitetura tem a função de dar dignidade de moradia para todo mundo”, defende Ruy Ohtake - Divulgação/TV Brasil

Ohtake acredita que o rompimento é fundamental na arte e, sem medo de polêmicas, dispara: “Quem tem medo de polêmica nunca vai ser de vanguarda. Porque, à medida que você avança com uma coisa nova, cria algumas polêmicas. Então você precisa confiar na sua intuição.”

Por fim, ao ser interrogado sobre qual de suas obras teria mais personalidade e beleza, Ohtake escapa pela tangente e rebate com outra pergunta: “Se você é casada e tem filhos, eu perguntaria: qual filho você gosta mais?”. E, ao examinar a questão com mais profundidade, responde com bom humor que a obra de sua autoria que considera mais interessante é aquela que ainda vai fazer.

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