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Entre paredes: crianças na pandemia

Caminhos da Reportagem

No AR em 31/05/2020 - 20:00

Em meio a saudades da escola, restrições e medo do coronavírus, o Caminhos da Reportagem mostra como crianças estão enfrentando o isolamento social, sob o ponto de vista delas.

O programa foi feito de forma colaborativa: pais, famílias, as próprias crianças, coletivos de cinema e parceiros da TV Brasil registraram o que viram de perto em suas casas ou locais onde moram. Com isso, foi possível, em meio ao isolamento social, mostrar diversas realidades: crianças de classe média, da periferia, do interior do país e crianças indígenas.

Marina Cardoso acompanha as aulas por meio de uma pequena tela de celular
Marina Cardoso acompanha as aulas por meio de uma pequena tela de celular - Divulgação/ TV Brasil

As diferentes realidades mostram que pelo país há diversos tipos de "quarentena" e a desigualdade social e econômica impacta a forma como as crianças vivenciam esse período.

Moradora de Paraisópolis (SP), onde divide uma pequena casa com outras seis pessoas, a diarista Cristina Maria da Silva acompanha a ansiedade e inquietação de quatro adolescentes e crianças com aulas online e muita energia para gastar. "A gente vai tentando fazer o que pode para não ficar louca, porque ficar em casa todo esse tempo com as crianças, elas ficam estressadas, cansadas de só jogar videogame, só assistir TV ou brincar dentro de casa", desabafa.

Já no sertão pernambucano, em Serra Talhada, os primos Davi Santos, de 4 anos, e Gustavo Silva, de 5 anos, que moram em uma comunidade rural, apesar da pouca idade entendem que vivem tempos diferentes. Eles estranham o confinamento.

"Eu estou com medo porque eu não quero ficar doente", explica Yaysni Fulni-ô
"Eu estou com medo porque eu não quero ficar doente", explica Yaysni Fulni-ô - Divulgação/ TV Brasil

Também no interior de Pernambuco, no município de Águas Belas, está a Reserva Indígena do povo Fulni-ô. Já há casos de coronavírus na região e as crianças estão assustadas. Yaysni Ferreira dos Santos, de 6 anos, e Tedya Ferreira Barbosa, de 8 anos, têm acompanhado o que acontece pelos jornais. "Estou com medo porque eu não quero ficar doente", explica Yaysni.

A nova escola

As crianças também passaram a conviver com uma nova realidade: as aulas online. Nem alunos, nem professores estavam preparados para uma mudança tão rápida no cotidiano escolar.

"Uso o uniforme nas minhas aulas online porque a gente se sente mais no clima da escola", conta Isabela John
"Uso o uniforme nas minhas aulas online porque a gente se sente mais no clima da escola", conta Isabela John - Divulgação/ TV Brasil

A quarentena evidenciou problema antigo de desigualdade no sistema escolar: o acesso desigual à internet.  Em  todo o Brasil, 4,8 milhões de crianças não estão conectados – o que equivale a 17% de estudantes entre 9 e 17 anos, de acordo com a pesquisa TIC Kids Online 2019.

Outra preocupação é a exposição de crianças a telas. Alguns pais estabelecem horários, outros, para conseguir trabalhar, deixam livre o acesso à televisão, computadores, tablets e celulares. Há riscos. "A exposição a telas pode causar aceleração desnecessária, problemas motores, de postura, de interação social, entre outros", enumera a psicóloga Raquel Manzini.

Já o pediatra Daniel Becker recomenda equilíbrio. "Neste momento, acho que a gente precisa ser mais flexível, porque senão a gente enlouquece", pondera. 

Ficha técnica:

Reportagem: Amanda Cieglinski e Tiago Bittencourt
Produção: Amanda Cieglinski, Carina Dourado, Carolina Gonçalves, Cintia Vargas e Tiago Bittencourt
Imagens: André Pacheco e Sigmar Gonçalves
Auxílio técnico: Alexandre Souza
Apoio imagens: Bianca Vasconcellos e Warley de Andrade
Edição de texto: Ana Passos, Carina Dourado e Cintia Vargas
Edição de imagem e finalização: Jerson Portela

Agradecimentos: A todos personagens do programa que, gentilmente, nos enviaram vídeos contando suas histórias.
 

Criado em 25/05/2020 - 16:25

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