Dois milhões de brasileiros têm Alzheimer, segundo o Ministério da Saúde. População que deve triplicar até 2050. “A demência não está contaminando ou sendo transmitida entre as pessoas. A demência aumenta, porque a população envelhece”, explica o chefe da Geriatria do Hospital Universitário de Brasília, Marco Polo.
Desmistificar a demência é papel da ciência e também do jornalismo. Por isso, o próximo episódio do Caminhos da Reportagem mostra o crescimento da doença, suas causas, o estágio atual dos tratamentos e a importância do cuidado e do diagnóstico.
“É interessante que as pessoas tenham diagnóstico precoce para elas poderem se programar. É claro que isso tem que ser feito de uma forma jeitosa, amorosa e acolhedora, mas precisa ser feito”, afirma o geriatra Otávio Castello.
É o caso do Jorge Noronha, que soube que tinha Alzheimer com 55 anos. Diagnóstico feito pelo próprio irmão, o geriatra Flávio Noronha.
“Meu irmão e eu estávamos conversando sobre o carro dele. A conversa estava tendo coerência, mas num certo momento começou a ficar infantilizada. Ele parecia um menino de 11/12 anos. Aquilo me chamou atenção e eu falei: tem alguma coisa errada. Fizemos exame de sangue, tomografia, ressonância e chegamos ao quadro de Alzheimer”, lembra o médico.
Jorge recebe cuidados que vão da fonoaudióloga à higiene. “Nós sempre vamos saber quem é o Jorge, mas vai chegar um momento em que ele não vai saber quem é a gente. E a gente tem que estar preparado emocionalmente para isso”, desabafa a pedagoga Karla Viana, cunhada do Jorge.
O Alzheimer é a demência mais conhecida, mas existem mais de 100 tipos da doença. Os médicos já descobriram que atividades intelectuais, sociais e, principalmente, físicas são aliadas nessa batalha.
“Às vezes as pessoas me perguntam e isso virou até anedótico. ‘Qual exercício eu faço: palavra cruzada ou caça-palavra?’ Faça exercício físico”, responde Marco Polo. “Se uma pessoa quer ter uma velhice saudável, ela precisa se sentir útil”, complementa Otávio Castello.
Já outras características ainda estão sendo estudadas. “Perda de força, perda de apetite, lentificação da marcha. Esse tipo de sintoma também tem sido associado ao início precoce de demência”, conta a presidente da Associação Brasileira de Alzheimer no Distrito Federal (ABRAz-DF), Juliana Martins Pinto.
Além disso, é essencial que as políticas públicas cheguem a todos. “Os cuidados precisam ser adequados para os mais diversos territórios. Como é tratar pessoas com demência que moram na região rural, em favelas, em cortiços? Tudo isso demanda da sociedade várias formas de cuidado”, lembra o Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva.
O programa “Quando o esquecimento chega: Alzheimer e outras demências” vai ar ao nesta segunda (23/2), às 23h, na TV Brasil.
Ficha técnica
Reportagem: Marieta Cazarré
Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco, Rogerio Verçoza e Sigmar Gonçalves
Auxílio técnico: Alexandre Souza e José Carlos
Produção: Cleiton Freitas
Edição de texto: Marieta Cazarré e Paulo Leite
Edição de imagem e finalização: Márcio Stuckert
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia
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