Dois anos depois da retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará, os cerca de 1.400 indígenas do povo Parakanã se organizam para manter o controle do território e fazem planos para o futuro. Mas ainda enfrentam ameaças e ataques de pistoleiros.
Chamada de desintrusão, a retirada dos invasores de terras indígenas foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Na TI Apyterewa, o processo começou em outubro de 2023. Em março de 2024 o território foi devolvido simbolicamente aos indígenas.
“Agora vai ficar a terra só para os Parakanã, para viver em paz, sem invasor, sem garimpeiro, sem madeireiro”, afirma Tye Parakanã, liderança da aldeia Capanema.
A maior ameaça ao território é a pecuária. Por conta da criação de gado ilegal nas últimas décadas, a TI Apyterewa é a terra indígena mais desmatada da Amazônia, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Embora a maior parte das 50 mil cabeças de gado tenha sido retirada pelos próprios produtores rurais durante a desintrusão, ainda restam cerca de 1.300 animais espalhados em 43 pontos do território, segundo o Ibama.
Em dezembro, a equipe do Caminhos da Reportagem foi ao território para acompanhar uma operação de retirada do gado remanescente com a participação do Ministério dos Povos Indígenas, Funai, Ibama, Agência de Vigilância Sanitária do Pará, Polícia Civil e Militar.
Enquanto ajudava a tocar a boiada, Marcos Antônio Pereira da Cruz, de 38 anos, um dos vaqueiros contratados pelo Ibama, foi morto a tiros numa emboscada. “Justiça é o que a gente espera na verdade. Por quê? Ele não vai voltar”, lamenta a irmã de Marcos, Luciane Pereira.
A Polícia Federal prendeu um suspeito, que é investigado também por atentados contra os indígenas. O cacique-geral da TI Apyterewa, Mamá Parakanã, disse que as aldeias já sofreram oito ataques após a desintrusão. “Mas estamos firmes aqui porque a terra é nossa”.
O secretário Nacional de Direitos Territoriais Indígenas, Marcos Kaingang, afirma que o ministério dos Povos Indígenas vai dar continuidade às ações de proteção ao território e faz interlocuções para reforçar a segurança. “Manter esses territórios protegidos e evitar que esses ilícitos retornem, que esses invasores retornem para as terras indígenas, sem dúvida, é um desafio estrutural no Brasil”.
Os indígenas constroem um plano de segurança territorial em conjunto com os órgãos governamentais e ao mesmo tempo buscam parceiros para fazer o reflorestamento. “Agora a gente vai tentar recuperar tudo o que a gente perdeu, castanheira, cumaru”, afirma a presidente da associação Tato’a, Wenatoa Parakanã.
*A equipe do Caminhos da Reportagem e o fotógrafo Bruno Peres, da Agência Brasil, viajaram a convite do ministério dos Povos indígenas.
* O programa vai ao ar na próxima segunda 02/03 às 23h
Ficha técnica
Reportagem e produção - Ana Passos
Reportagem cinematográfica - Gilvan Alves
Drone - Gilvan Alves
Auxílio técnico - Thyago Pignata
Apoio à produção - Vitor Abdala
Apoio à reportagem cinematográfica - Marcelo Padovan
Gravação em Brasília:
Carina Dourado – apoio à reportagem
Cleiton Freitas - produção executiva
André Pacheco – apoio à reportagem cinematográfica
Alexandre Souza e Daílton Matos - colaboração técnica
Gravação em Boa Vista – RR:
Leandro de Sousa – apoio à reportagem
Paulo César Reis – apoio à produção
Lacerda Carvalho – apoio à reportagem cinematográfica
Daniel Oliveira - colaboração técnica
Edição de texto: Ana Passos
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