A grande Foz do Iguaçu é realmente extensa. Faz fronteira com cinco cidades de dois países: Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias e Minga Guazú, no Paraguai, e Puerto Iguazú, na Argentina.
“É uma região que tem aproximadamente 1 milhão de pessoas (...) e é uma dinâmica que se faz de fato transfronteiriça”, afirma o professor de Direito Internacional Gustavo Oliveira Vieira.
Uma metrópole que convive diariamente com o vai e vem de pessoas e mercadorias. Nem sempre um movimento legal. Nossa equipe flagrou, em plena luz do dia, um caso de tráfico internacional de drogas. Um homem de 28 anos trazia 3,6 quilos de maconha em um ônibus de linha que partiu do Paraguai e atravessou a fronteira brasileira.
Mais de 30 mil pessoas cruzam, todos os dias, a ponte (da Fraternidade) que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú, na Argentina. Além disso, 100 mil passam pela famosa ponte da Amizade, que conecta Brasil e Paraguai.
O intenso entra e sai torna inviável pedir documento para todo mundo. A saída é apostar em capacitação e tecnologia. “Nós temos investido em inteligência e no treinamento dos servidores em relação à linguagem não verbal”, explica o auditor da Receita Federal Daniel Messias Linck.
É dessa forma que a Receita tenta barrar outro crime: o tráfico de seres humanos. “São casos que têm um perfil. Geralmente são pessoas que não sabem dizer exatamente para onde estão indo e que têm uma característica de muito medo”, complementa o auditor.
Já o combate ao tráfico de crianças requer cuidado multidisciplinar. Após se unirem, órgãos públicos e sociedade civil têm colhido frutos da força-tarefa na fronteira. No Paraguai, a repórter Flavia Peixoto conversou com um casal de missionários, pra entender como o trabalho é feito.
“Nós ajudamos famílias com comida, educação e medicamentos, porque, quando estão bem, elas não são tão suscetíveis ao tráfico”, conta o holandês Jacob Schaafsma. “Queremos prevenir essa situação com famílias vulneráveis ou disfuncionais. Já tivemos casos de pais e avós que vendem crianças”, diz a venezuelana Nathaly Schaafsma.
Não ter documentação é um prato cheio para os criminosos. A neta da dona de casa Cândida Sanabria só conseguiu ser registrada com quase três anos de idade, depois que foi adotada pela família. Aliviada, Cândida não esconde a alegria. “Abigail é tudo pra mim. É minha companhia e minha alegria”.
Crimes tidos como menos graves, como contrabando (quando a mercadoria é proibida no Brasil) e descaminho (quando a mercadoria é permitida, mas o imposto não foi pago ao entrar em solo brasileiro), são os mais comuns em Foz do Iguaçu. Mas a realidade é que de “menos graves” esses crimes não têm nada.
“O contrabando e o descaminho estão muito associados com o crime organizado e a lavagem de dinheiro. Eles são quase indissociáveis. O crime organizado percebeu, há muito tempo, que o descaminho é talvez até mais rentável do que o tráfico de drogas. Você tem cargas de celulares aqui que chegam a R$ 5 milhões”, revela a auditora da Receita Federal Carolina Morimoto.
O programa “Foz do Iguaçu: crimes na fronteira mais movimentada do Brasil” vai ar ao nesta segunda (2/2), às 23h, na TV Brasil.
Ficha técnica
Reportagem: Flavia Peixoto
Reportagem cinematográfica: Gilvan Alves
Auxílio técnico: Alexandre Souza
Produção: Carol Oliveira
Edição de texto: Paulo Leite
Edição de imagem e finalização: Rivaldo Martins
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos e Wagner Maia
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