O que é o amor? Quais formas esse sentimento pode assumir? Estas são as principais questões que motivam este episódio do Caminhos da Reportagem “Amar, verbo em transição”.
O dicionário Michaelis traz 15 definições para a palavra “amor”. A primeira delas o descreve como um “sentimento que leva uma pessoa a desejar o que se lhe afigura belo, digno ou grandioso”. A segunda faz referência a uma “grande afeição que une uma pessoa a outra”. Mas será que o ato de amar se manifesta somente da forma que as linhas do dicionário traduzem?
Para o neurocientista Fernando Gomes, “desde criança, todo mundo começa a entender que existe a necessidade de você ter uma pessoa ou alguém para você amar ou, pelo menos, vivenciar uma história romântica”.
A professora de português e literatura Ana Maria de Matos Viegas, quando criança, tinha uma ideia idealizada de amor: “Na quinta série primária, eu já tinha um caderno de música, e a primeira música do caderno era ‘A Minha Namorada’, do Vinícius. Daí pra cima. Era essa ideia muito romântica do amor, do tudo certo… A infância com muita história de fada, festa de casamento de sete dias. Então, tinha essa coisa idealizada”, explica.
A psicóloga Geni Núñez explica que essa forma idealizada de enxergar o amor tem raízes no conceito de “amor romântico”. Para ela, esse tipo de amor tem a “inspiração platônica de que só é verdadeiro aquilo que é complementar. Então, a gente vai ver no senso comum a ideia de metade da laranja, a tampa da panela”.
Renato Noguera, filósofo, complementa este pensamento ao mostrar como os contos de fadas, assim como os livros, filmes, novelas etc., exaltam essa forma de amar. “Quando a gente fala de amor romântico, tem uma genealogia, tem uma evolução. A gente pode imaginar Romeu e Julieta: o Romeu ali falando com a Julieta no balcão, ela numa sacada aos trovadores [...] Aquela cena que todo mundo deve ter visto, que é alguém pedindo outra pessoa em casamento, dobrando um joelho, oferecendo uma joia, oferecendo um anel”, exemplifica.
O matrimônio era, para a bibliotecária Mónica Aliseris, a única opção. “Não tinha uma coisa natural, era assim: você um dia vai se apaixonar, vai se casar e vai ter filhos. Nunca pensei em outra coisa porque não tinha outro repertório”, enfatiza.
Ana e Mónica se casaram, tiveram filhos, se separaram e se conheceram quando tinham quase 50 anos. Para elas, que se casaram em 2019, o etarismo é uma questão que precisa ser mais discutida quando o assunto é amor: “O etarismo é uma coisa que está precisando ganhar mais espaço, ser mais discutido para fortalecer as pessoas, para não ficarem mais nesse cantinho onde o velho perdeu todo o valor. E tem também uma coisa de relacionamentos antigos que, de repente, saem do armário. Moram juntos, são amigos, são amigas… Não, não, são um casal”.
Além da história de Ana e Mónica, o Caminhos da Reportagem conta outras quatro histórias de amor que abordam, entre outros, temas como assexualidade, transfobia, capacitismo e luto. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (23/03), às 23h, na TV Brasil.
Ficha técnica
Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à reportagem: Anna Karina de Carvalho
Apoio operacional à produção: Acácio Barros e Lucas Cruz
Reportagem cinematográfica: Alexandre Nascimento e JM Barboza
Apoio à reportagem cinematográfica: Gilmar Vaz, Jefferson Pastori e Marcio de Andrade
Auxílio técnico: João Batista de Lima e Maurício Aurélio Marcelo
Colaboração técnica: Caio Araujo, Eduardo Domingues, Jone Ferreira e Rafael Carvalho
Edição de texto: Thiago Padovan
Apoio à edição de texto: Ana Graziela Aguiar e Priscila Kerche
Edição e finalização de imagem: Fábio Pousa e Rodrigo Botosso
Assessoria: Maura Martins
Arte: Aleixo Leite, Carol Ramos e Wagner Maia
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