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Gnaisse facoidal - a rocha e o Rio

Caminhos da Reportagem

No AR em 16/03/2026 - 23:00

Há quase 600 milhões de anos, a colisão das placas sul-americanas e africanas forjou o gnaisse facoidal, uma rocha metamórfica que molda monumentos geológicos que fazem parte da paisagem natural do Rio de Janeiro. Em sua edição que vai ao ar às 23h desta segunda-feira (16), o programa Caminhos da Reportagem mostra a relação dessa pedra com os cariocas e com a cidade.

Gnaisse facoidal, forjada há quase 600 milhões de anos
Gnaisse facoidal, forjada há quase 600 milhões de anos - Divulgação/TV Brasil

 

O programa passeia por monumentos naturais compostos pela rocha, como o Pão-de-Açúcar, o morro da Urca, o pico do Corcovado e as pedras do Sal e do Arpoador, mostrando personagens ligados a cada um desses locais.
 

Paisagem do Rio emoldurada pela rocha
Paisagem do Rio emoldurada pela rocha - Divulgação/TV Brasil


“A morfologia do Rio de Janeiro é única no mundo. Assim como tem o Grand Canyon, como tem o Himalaia, os Alpes, o Rio de Janeiro é uma formação geológica única, com pontões rochosos, pães-de-açúcar, pináculos, de feições extraordinárias, o Dois Irmãos, o Corcovado, o Pão-de-Açúcar. São desenhos morfológicos, geomorfológicos únicos e muito interessantes. E, por isso, [é] a Cidade Maravilhosa. Esse nome que ela recebe tem muito a ver com essa paisagem montanhosa”, destaca o geógrafo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Marcelo Motta.
 

Marcelo Motta - geógrafo
Marcelo Motta - geógrafo - Divulgação/TV Brasil


Montanhista desde 2008, Ricardo Barros conhece bem morros como Pão-de-Açúcar e o Corcovado, já que passou toda sua vida entre as cidades do Rio e Niterói, outra cidade que conta com inúmeras formações rochosas compostas por gnaisse facoidal. 

 

Escalada no Pão de Açúcar - gnaisse facoidal
Escalada no Pão de Açúcar - gnaisse facoidal - Divulgação/TV Brasil


“É um privilégio nascer e viver aqui no Rio e Niterói. Já viajei para alguns outros cantos, mas nunca achei nada igual ao Rio de Janeiro e Niterói, onde você consegue subir uma montanha, descer e dar um mergulho no mar. Ou até mesmo subir com o mar nas suas costas. Em outros estados, outras cidades mais distantes, é comum as pessoas viajarem uma hora até chegarem numa montanha. Aqui a gente, em uma hora, passa por seis, sete montanhas imensas”, conta Barros ao Caminhos da Reportagem

 

A gnaisse também está presente na paisagem de Niterói
A gnaisse também está presente na paisagem de Niterói - Divulgação/TV Brasil


A geóloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Katia Mansur explica que o gnaisse facoidal surgiu na colisão de África e Brasil, mas os monumentos formados pela rocha só afloraram com a separação das duas massas continentais, a partir de 130 milhões de anos atrás. “Com o tempo, [o gnaisse facoidal] vai subindo e o que acontece? Vai-se formando umas cascas, como se fosse uma cebola, e esse material que forma da casca começa a soltar, e vai formando então esses corpos meio arredondados”. 
 

Katia Mansur - geóloga
Katia Mansur - geóloga - Divulgação/TV Brasil


Ponto de encontro de sambistas desde o início do século XX, quando descendentes de escravizados vindos da Bahia passaram a se reunir no local, a Pedra do Sal é um dos monumentos rochosos visitados pelo Caminhos da Reportagem.  

“Você vai ter esse processo de separação do Gondwana, o aparecimento da América e da África. Milhões de anos vão passar, você vai ter esse triste processo de escravidão, onde a gente embarcava nos negreiros. O que explica, milhões de anos depois, você ter essa reconexão? Isso não pode ser à toa, você ter uma desconexão geológica e uma reconexão cultural”, conta o professor Walmir Pimentel, que se apresenta nas rodas de samba que reúnem várias pessoas todas as semanas na Pedra do Sal. 
 

Samba da Pedra do Sal - reconexão com a África
Samba da Pedra do Sal - reconexão com a África - Divulgação/TV Brasil


Por ser uma rocha onipresente nos arredores da Baía de Guanabara, o gnaisse facoidal foi também uma das principais matérias-primas para a construção civil na cidade do Rio de Janeiro desde os primeiros anos da colonização portuguesa. O resultado disso são inúmeros monumentos arquitetônicos compostos pela rocha e visitados pelo Caminhos da Reportagem, como a Fortaleza São João, do século XVI, e o Palácio Gustavo Capanema, do início do século XX.
 

Gnaisse facoidal na arquitetura do Rio
Gnaisse facoidal na arquitetura do Rio - Divulgação/TV Brasil


Sua importância para a paisagem carioca e para a arquitetura da cidade foi reconhecida pela União Internacional de Ciências Geológicas (IUGS), que, em 2024, declarou-a Pedra Patrimônio, a única brasileira a ter esse reconhecimento e a se juntar a outras rochas como o calcário lioz, de Portugal, e o mármore carrara, da Itália. 

Detalhe da rocha
Detalhe da rocha - Divulgação/TV Brasil


“Estamos em uma época que está começando a se conceber o tema da geoconservação. O mundo [precisa] conservar a natureza e também conservar a parte geológica, para que não se perca, para o futuro, [o conhecimento de] como se deu a história da Terra”, diz a engenheira de minas Núria Castro. 

Cristo Redentor, no alto do Corcovado
Cristo Redentor, no alto do Corcovado - Divulgação/TV Brasil

 

Ficha técnica

Reportagem e produção: Vitor Abdala
Apoio à reportagem: Aline Beckstein 
Reportagem cinematográfica: Gilson Machado, Marcelo Padovan, Marcio de Andrade e Rodolpho Rodrigues 
Auxílio técnico: Adaroan Barros, Caio Araujo, Claudio Tavares e Yuri Freire 
Edição de texto: Ana Passos 
Edição de imagem e finalização: Ubirajara Abreu 
Trilha sonora: Ricardo Vilas, Warner Chappell Production Music, Samba da Pedra do Sal 
Sonorização: Mauricio Azevedo 
Intérprete de libras: Thamires Ferreira

Pão de açúcar, um dos símbolos do Rio e do Brasil
Pão de Açúcar, um dos símbolos do Rio e do Brasil - Divulgação/TV Brasil

 

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Criado em 12/03/2026 - 17:35

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