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Bumba-meu-boi

Caminhos da Reportagem

No AR em 21/07/2025 - 23:00

O Bumba-meu-boi, que é reconhecido como patrimônio cultural imaterial da humanidade desde 2019, é o tema do próximo programa Caminhos da Reportagem nesta segunda-feira (21). A atração vai ao ar às 23h, na TV Brasil

Caminhos da Reportagem apresenta os festejos do Bumba-meu-boi no Maranhão
Caminhos da Reportagem apresenta os festejos do Bumba-meu-boi no Maranhão - TVUFMA/Divulgação


A produção apresenta que os primeiros registros desta manifestação cultural surgiram a partir primeira metade do século 19, mas as origens provavelmente são mais remotas. De acordo com as informações, 450 grupos de boi participam das celebrações no estado nordestino, que vão de maio a julho, com alguns deles estendendo as festas até o mês de dezembro. 

Carlos Benedito, coordenador do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), explica que essas manifestações culturais surgiram no período escravista.

“Já que o escravizado não poderia trazer nada de material, traz tudo na sua memória. Então, a religiosidade, os ritos, as formas de comunicação, as linguagens, acabam sendo recriadas e reinventadas”. 

Carlos Benedito coordena o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFMA
Carlos Benedito coordena o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da UFMA, por Divulgação/TVUFMA


Para o pesquisador, a influência indígena também pode ser observada na tradição do Bumba-meu-boi, como o jeito de dançar e instrumentos que são tocados nas celebrações. Além disso, a festa também tem interseção com a tradição católica, visto que as celebrações se entrelaçam com os dias de São João, São Pedro e São Marçal. 

Celebração de Bumba-meu-boi em São Luís
Celebração de Bumba-meu-boi em São Luís - Divulgação/TVUFMA


“Tem muita relação com a questão do sincretismo porque o São Pedro, ele é sincretizado nos cultos de matriz africana com Xangô. Então isso está muito presente quando a gente vê as pessoas que pagam promessas e no caso dos cultos de matriz africana pagam obrigação ao santo”, afirma a cientista social Izaurina Nunes, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Izaurina Nunes - cientista social do Iphan
Izaurina Nunes - cientista social do Iphan - Divulgação/TVUFMA

 

Grupos de Boi

Essa edição do Caminhos da Reportagem também apresenta os diferentes sotaques, ou maneiras de brincar, do Bumba-meu-boi, como zabumba, matraca, baixada, orquestra e costa de mão.   Muitos batalhões surgem a partir do pagamento de promessas ou visões ligadas a divindades.

“Essa brincadeira veio de um sonho que eu tive. Uma pessoa chegou a mim e pediu para eu fazer um boi para ele. Eu disse que não tinha condição. Depois ele apareceu de novo. Chegou ‘ó, eu quero a brincadeira e o nome do boi é Anjo do meu sonho’. Toquei a brincadeira para a frente e tô até hoje”, destaca o presidente do Boi Anjo do Meu Sonho, Arcangelo Reis. “Para mim, largar esse boi só depois que Deus me levar.  Porque eu gostei muito da brincadeira. Eu criei amizade, criei um amor”.

Arcangelo Reis criou um grupo de bumba-meu-boi a partir de um sonho
Arcangelo Reis criou um grupo de bumba-meu-boi a partir de um sonho - Divulgação/TVUFMA

 

O Bumba-meu-boi não apenas proporciona a diversão das comunidades e o elo com a tradição, como também movimenta uma cadeia produtiva de pessoas que trabalham na preparação dos eventos e que ganham dinheiro com o comércio nos dias de celebrações.

“Eu comecei a empreender aos 18 anos, pintando e customizando camisetas e especialmente durante as festas juninas, durante o São João, era onde eu vendia mais camisetas. No ano passado, incluí as matracas, que são o meu diferencial agora, que são matracas customizadas. Eu tenho vendido tanto para os turistas quanto para as pessoas aqui mesmo, que tem enaltecido a nossa cultura”, conta a artesã e empreendedora social Géssica Tavares.

Géssica Tavares produz matracas customizadas nos festejos de São João
Géssica Tavares produz matracas customizadas nos festejos de São João - Divulgação/TVUFMA


Ficha técnica

Reportagem: TVUFMA, Luciana Rodrigues 
Produção: TVUFMA; Danyelle França; Eduardo Gomes; Fábio Cabral; Hugo Borges; Paulo Rubim; Linda Rodrigues; Luciana Rodrigues; Werbeth Pereira; Miguel Chaves
Apoio à produção: Vitor Abdala 
Imagens: Edu Santos – TVUFMA; Luis Carlos – TVUFMA; Secretaria de estado de Comunicação Social / MA 
Edição de texto: Ana Passos 
Edição de imagem e finalização: Ubirajara Abreu 
Arte: Aleixo Leite; Caroline Ramos; Wagner Maia
Sonorização: Maurício Azevedo
Intérprete de libras: Cristiane Lima

Brincar de boi é uma tradição que une diferentes gerações
Brincar de boi é uma tradição que une diferentes gerações - Divulgação/TVUFMA

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Criado em 18/07/2025 - 17:40

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