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Museu Nacional, um novo começo

Caminhos da Reportagem

No AR em 18/08/2025 - 23:00

Sete anos depois do incêndio que consumiu 85% do acervo do museu e da instituição de pesquisa mais antigos do país, a casa está de portas abertas parcial e temporariamente para que o público possa acompanhar a evolução das obras.

Paço de São Cristóvão, rodeado pela Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro
Paço de São Cristóvão, rodeado pela Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro - Divulgação/TV Brasil

 

Na exposição “Entre Gigantes, uma experiência no Museu Nacional”, que vai até 31 de agosto, é possível matar a saudade do meteorito Bendegó, que com suas 5 toneladas sobreviveu às chamas e virou símbolo de resiliência para os funcionários, e também conhecer o esqueleto de um cachalote gigante, que representa as novas coleções.  

Bendegó, o maior meteorito já encontrado no Brasil
Bendegó, o maior meteorito já encontrado no Brasil - Divulgação/TV Brasil

 

Por meio do Projeto Recompõe, o Museu Nacional arrecada peças para refazer os seus acervos. Catorze mil itens foram doados até agora por instituições ou colecionadores particulares.  

 

Borboletas azuis doadas para a nova coleção
Borboletas azuis doadas para a nova coleção - Divulgação/TV Brasil

 

Sensibilizado com a tragédia, o cantor Nando Reis doou a coleção de conchas e caramujos iniciada pelo pai dele nos anos 1960. “O meu pai não era uma pessoa de muitas palavras. Quando eu comecei a trabalhar com os Titãs e comecei a viajar, passei a comprar conchas e caramujos dos colecionadores e pescadores e, enfim, aquilo era um lugar, um assunto. Através daquela coleção a gente acabava se comunicando”, conta Nando. 

Nando Reis é um dos doadores do Projeto Recompõe
Nando Reis é um dos doadores do Projeto Recompõe - Divulgação/TV Brasil

 

O Museu se ergue a partir de novas ideias e em diálogo com povos indígenas e comunidades tradicionais. "Os museus são instituições que nascem no contexto europeu branco do saber positivista no momento de criação dos Estados Nacionais na Europa. Mas quando a gente fala de um museu do século XXI, a gente precisa discutir qual o papel dessa instituição para as pessoas. Não é simplesmente reproduzir uma única narrativa sobre o que é a história do Brasil, ou o que é a história de um povo. A gente tem a oportunidade de trazer muitas vozes e muitas histórias para essa instituição”, explica a museóloga do Museu Nacional, Thais Mayumi Pinheiro.  

Thaís Mayumi, museóloga do Museu Nacional
Thaís Mayumi, museóloga do Museu Nacional - Divulgação/TV Brasil


Um dos curadores indígenas das novas coleções é o antropólogo Tonico Benites. Ele conversou com lideranças do seu povo Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, que decidiram inicialmente doar objetos relacionados à luta por direitos. Um exemplo é a borduna do Cacique Nizio Gomes, assassinado por fazendeiros numa tentativa de retomada de território em 2011. "Agora (a borduna) vai ficar no Museu de forma muito permanente pedindo justiça”, afirma Tonico.

Tonico Benites dialoga com lideranças indígenas e arrecada peças para a nova coleção
Tonico Benites dialoga com lideranças indígenas e arrecada peças para a nova coleção - Divulgação/TV Brasil


O Quilombo do Camorim, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, também é parceiro na reconstrução do Museu Nacional. Uma parte do território é reconhecida como sítio arqueológico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De lá saem peças como cachimbos, louças e cerâmicas de quatro séculos atrás, que pertenceram a um dos engenhos mais antigos do estado.  

A presidente da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas do Estado do Rio de Janeiro (Accquilerj), Bia Nunes, conta que foi criado um grupo formado por quilombolas e pesquisadores. “Ali a gente discute o nosso sonho de se ver dentro desse museu”, afirma Bia. “Isso me impactou bastante porque para mim sempre teve uma importância muito grande a nossa história e principalmente contada por nós”, completa.  

Bendegó, o maior meteorito já encontrado no Brasil
Bia Nunes, presidente da Acquilerj, e o sonho de ser ver no museu - Divulgação/TV Brasil

 

A equipe do Caminhos da Reportagem também conferiu a restauração do histórico Palácio de São Cristóvão, que foi construído por um traficante de africanos escravizados no início do século XIX e doado à família Real Portuguesa, tendo servido como moradia imperial até a Proclamação da República.

Palácio de São Cristóvão com a fachada quase toda restaurada
Palácio de São Cristóvão com a fachada quase toda restaurada - Divulgação/TV Brasil


O projeto da reconstrução está orçado em R$ 516 milhões e o Museu Nacional deve ser reinaugurado apenas em 2028.  

Ficha técnica: 

Reportagem e produção: Ana Passos
Reportagem cinematográfica: Marcelo Padovan 
Apoio à reportagem: Ana Graziela Aguiar – SP, Marieta Cazarré – DF, Patrícia Araújo - DF 
Apoio à produção: Vitor Abdala 
Apoio à reportagem cinematográfica: Rogerio Verçoza – DF, Sigmar Gonçalves – DF, JM Barboza - SP  
Auxílio técnico: Cláudio Tavares, Caio Araujo  
Colaboração técnica: Daílton Matos – DF, Marcelo Vasconcelos – DF, Rafael Carvalho - SP  
Edição de texto: Ana Passos 
Edição de imagem e finalização: Eric Gusmão, Marcos Paulo Silva, Ubirajara Abreu 
Arte: Aleixo Leite, Caroline Ramos, Wagner Maia 
Sonorização: Maurício Azevedo 
Intérprete de Libras: Thamires Ferreira

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Criado em 14/08/2025 - 16:45

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