Nem todos sabem, mas é possível explorar economicamente os recursos de uma área de conservação no Brasil. A reservas extrativistas, também conhecidas como Resex, permitem que o uso sustentável de plantas e animais por populações locais. O programa Caminhos da Reportagem viajou até o coração da floresta amazônica e mostrará o funcionamento da Resex Ituxi, localizada no sul do Amazonas, perto da divisa com Rondônia.
Criada em 2008, pelo governo federal, a reserva ocupa uma área de 7,7 mil km2, o equivalente a seis vezes o município do Rio de Janeiro, a partir de uma demanda de comunidades tradicionais que vivem na região. A ideia foi permitir que aquelas pessoas sobrevivessem dos recursos da floresta sem que comprometessem sua sustentabilidade.
“Foi uma demanda que surgiu pela necessidade do território. A Reserva Ituxi estava sendo atacada pelo sul, por grilagem de terra, demarcações de grileiros. E, com isso, a gente estava se sentindo que estava perdendo território”, conta Vanderleide Souza, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Ali são permitidos, por exemplo, a pesca, a coleta de frutos e sementes e até mesmo a derrubada de árvores. No entanto, tudo é feito de forma controlada, para evitar que aquele recurso seja extinto e a natureza consiga se recuperar sem deixar qualquer cicatriz no ecossistema.
“Toda atividade que você fizer dentro da reserva extrativista precisa ser prevista ou no seu plano de utilização ou no plano de manejo da unidade”, explica Samuel Nienow, também do ICMBio. “Garimpo não pode, criação de gado, de forma geral, também não pode. Você fazer desmatamentos de grandes áreas não pode”.
A coleta de castanha é a principal atividade econômica desenvolvida em Ituxi. “Eu tô acostumado a colher a castanha há quase 40 anos. Essa é uma questão da nossa tradição mesmo”, afirma Manoel Freitas, castanheiro como seus pais e avós.
Desmatamento
A extração de madeira é outra atividade de Ituxi. Fortemente regulada, a derrubada de qualquer árvore precisa de licenciamento ambiental.
“Ao derrubar uma árvore, só pode voltar a essa região onde derrubou-se essa árvore daqui a 10 anos. Tem que respeitar o ciclo da floresta para ela se renovar, se regenerar, para depois voltar a exploração nessa mesma região. Então o manejo adota critérios de ciclo, para que não haja necessidade de reflorestar porque a própria natureza vai fazer isso, de forma natural”, ressalta Marcus Biazatti do Idesam, instituto que trabalha com comunidades tradicionais na Amazônia, difundindo práticas sustentáveis em bioeconomia.
As Resex, assim como outras unidades de conservação, contribuem para a proteção da floresta. O desafio para manter sua integridade, no entanto, não é pequeno. Ituxi integra um grupo de áreas protegidas, que incluem terras indígenas, um parque nacional e uma floresta nacional, localizado às margens do Arco do Desmatamento, uma região de 500 mil quilômetros quadrados onde a fronteira agrícola avança na direção da floresta.
“A Resex Ituxi está numa região ainda bem conservada, mas que o avanço do desmatamento está vindo com muita velocidade, atingindo já as bordas da unidade. Então a gente tem um desafio muito grande de manter a qualidade ambiental dessa unidade não por uso dos extrativistas dos recursos que estão dentro, mas porque as pessoas de fora estão chegando nas bordas e desmatando o entorno da unidade”, destaca Nienow.
Ficha técnica:
Reportagem: Flávia Grossi
Reportagem cinematográfica: Eusébio Gomes
Produção à convite do ICMBio
Edição de conteúdo: Aline Beckstein
Edição de imagens: Ubirajara Abreu
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