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Yanomami: sonhos que resistem

Caminhos da Reportagem

No AR em 20/01/2025 - 23:00

Dois anos atrás, uma crise humanitária explodia na Amazônia. A invasão de garimpeiros na Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima, provocou crimes ambientais, desnutrição, doenças e mortes.

O governo Lula, que tinha assumido o poder pouco antes, montou uma força-tarefa para expulsar os invasores e recuperar os indígenas. O Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, acompanhou o início da operação, voltou ao local quando ela fez um ano e retornou agora, quando a presença do governo federal completou dois anos.

Garimpo ilegal é desativado pela força-tarefa do governo
Garimpo ilegal é desativado pela força-tarefa do governo - Divulgação/TV Brasil

 

E o que mudou nesse período?

Nilton Tubino, chefe da Casa de Governo
Nilton Tubino, chefe da Casa de Governo - Divulgação/TV Brasil

Nilton Tubino, chefe da Casa de Governo, estrutura criada para organizar e monitorar as ações federais dentro do território Yanomami, afirma que a presença permanente do poder público é a principal barreira contra os invasores. “A gente tem a estratégia direta de combate ao garimpo e tem outra iniciativa também muito importante: sufocar o apoio logístico ao garimpo, que é evitar a chegada de alimentação, combustível e aeronaves”, explica Tubino.

O balanço mais recente da força-tarefa mostra que foram feitas 3.488 operações de combate ao garimpo ilegal em 2024, na TI Yanomami. Ações que resultaram em 159 prisões, 410 acampamentos desmontados, 26 aviões capturados, 50 pistas de pouso destruídas e 33 kg de ouro apreendidos.

Terra Indígena Yanomami
Terra Indígena Yanomami - Divulgação/TV Brasil


Retirar quem invadiu e impedir a entrada de novos garimpeiros são ações que envolvem de policiais federais a militares e de agentes de inteligência a especialistas em proteção indígena. Esforço que não pode deixar brechas.

“A força-tarefa está na TI Yanomami e a entrada dos invasores está controlada, mas ainda existem pontos de entrada. Não são muitos, mas existem. Um aspecto que a gente observa é a qualidade da água nas nossas comunidades”, aponta o presidente do Conselho Distrital de Saúde Yanomami e Ye’kwana, Junior Yanomami.

Garimpar não é coisa para peixe pequeno. O investimento médio, pelas contas do Instituto Escolhas, é de R$ 3,3 milhões. Dinheiro que costuma render 3,75 kg de ouro, movimentar R$ 1,1 milhão e lucrar R$ 632 mil por mês.

Por isso mesmo, a coordenadora do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Gilmara Fernandes, lembra que a proteção dos indígenas é um desafio. “A Amazônia sempre foi vista como uma região de riquezas, de minério, de ouro. E, em contrapartida, você tem a questão dos territórios indígenas”, diz ela.

“Essa terra é dos garimpeiros? Não, essa terra é nossa”, crava Fernando Palimiú, cacique de outra comunidade indígena da região.

Cacique Fernando Palimiú
Cacique Fernando Palimiú - Divulgação/TV Brasil


O episódio “Yanomami: sonhos que resistem” vai ao ar nesta segunda-feira (20/1), às 23h, na TV Brasil.

Ficha técnica
Reportagem e produção: Ana Graziela Aguiar
Apoio à produção: Patrícia Araújo e Thiago Padovan
Reportagem cinematográfica: Sigmar Gonçalves
Edição de texto: Paulo Leite
Edição de imagem e finalização: André Eustáquio
Arte: Alex Sakata, Caroline Ramos e Wagner Maia

Clique aqui para saber como sintonizar a programação da TV Brasil.

Criado em 14/01/2025 - 19:05

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