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Itaipu: caminho das águas

Caminhos da Reportagem

No AR em 14/07/2025 - 23:00

A Usina de Itaipu é a maior hidrelétrica brasileira, e está localizada no rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. Administrada em conjunto pelos dois países, a Itaipu Binacional produziu, em 2024, 10% de toda a energia consumida no Brasil e 88% no Paraguai. O bem mais importante para Itaipu é a água, e por isso a hidrelétrica investe em projetos e ações voltados para a preservação ambiental e a sustentabilidade, como reflorestamento, agroecologia, proteção de nascentes, educação ambiental, reciclagem, aquicultura sustentável, conservação da biodiversidade.

A engenheira civil Mariana Werlang trabalha com a previsão de afluências, ou seja, a previsão de quanto de água está chegando ao reservatório de Itaipu. Ela explica que essa informação é importante para saber o quanto de água está disponível para a geração de energia. “Não é só a quantidade de água que é importante, a qualidade também pode interferir na operação”.

Caminhos da Reportagem - Usina Hidrelétrica de Itaipu 1
Usina Hidrelétrica de Itaipu - Divugação/TV Brasil

Além de monitorar a quantidade e a qualidade de água, a empresa investe há quase 50 anos em pesquisas científicas para a conservação dos peixes e para a aquicultura sustentável. “A tecnologia que nós usamos para marcação de peixes, recaptura e rastreamento dos peixes microchipados permite que a gente compreenda de que forma o ambiente está suportando o desenvolvimento daquela espécie e da população daquela espécie”, explica a bióloga Caroline Henn.

Desde 1979, um projeto de restauração e proteção da mata ciliar conecta as reservas e os refúgios em torno do reservatório de Itaipu. A engenheira ambiental de Itaipulândia, Rosenei Zaleski, explica que o plantio e a restauração foram feitos com plantas nativas da região. “Hoje a gente vê que os próprios agricultores procuram os municípios, dizendo que precisam de mais mudas nativas”, afirma. Foi necessário um trabalho de convencimento para que os agricultores entendessem a importância da restauração das matas ciliares. O produtor rural Milton Dillmann aderiu ao projeto e fala sobre a diferença que percebe na natureza: as nascentes que tinham secado voltaram, as aves e os passarinhos retornaram. “Nós temos que pensar no futuro dos nossos filhos e dos nossos netos. Se nós não conservarmos a terra, nossos filhos não vão ter água, não vão ter alimento”.

Caminhos da Reportagem - Corredor Ecológico Santa Maria area de preservação ambiental
Corredor Ecológico Santa Maria area de preservação ambiental - Divulgação/TV Brasil

A produtora rural Lucivânia Felix de Melo é beneficiada pelos projetos de agroecologia com foco na agricultura familiar. Em uma produção de 10 mil metros quadrados, ela tem 55 espécies de frutas. “Aqui está tudo verde, está cheio de animais, está cheio de borboletas, insetos. Um lugar que não tem agroecologia, não tem borboletas, não tem nenhum inseto. E no final sai uma coisa saudável, que faz bem para a saúde, para o corpo e para a mente”, afirma.

Outra ação de preservação é o Corredor Ecológico Santa Maria, resultado da atuação conjunta de instituições municipais, estaduais e federais que trabalham em parceria com proprietários de terra, que cedem parte de suas propriedades para o projeto. Apolônio Rodrigues, biólogo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), afirma que no começo dos anos 2000 foi pensada a possibilidade de conectar o Parque Nacional do Iguaçu com a faixa de proteção da Itaipu. A implantação do Corredor Ecológico permitiria o fluxo de biodiversidade e o enriquecimento genético das espécies. As primeiras mudas foram plantadas em 2002.

“A lei exige que o proprietário de uma área que tem um rio, ela tenha aquela faixa plantada em volta desse rio. Isso ajuda bastante. Agora, o que dificulta é o interesse econômico por produção. Os proprietários aqui, a gente tem que dar muitos parabéns a eles, cederam a faixa de 5 quilômetros dentro da fazenda”, explica Apolônio. A partir daí, foi possível conectar nascentes, promover sombreamento e esconderijos para alguns animais. “A gente tinha que conseguir tornar isso atrativo para que os animais se sentissem seguros dentro dessa faixa. E isso aconteceu”.

Caminhos da Reportagem - harpias no refugio
O Refúgio Biológico Bela vista resgata e reabilita animais silvestres - Divulgação/TV Brasil

O Refúgio Biológico Bela Vista, localizado na área da usina, é uma iniciativa para proteger a fauna e a flora locais, promovendo o resgate e reabilitação de animais silvestres, além de preservar a Mata Atlântica. “Todas as ações ambientais de Itaipu a gente consegue ver aqui no refúgio”, diz o biólogo Marcos José de Oliveira. Quando começou a trabalhar na Itaipu, em 1989, ele não via capivaras, onças, macacos. Havia pouquíssimos animais. “Então ter feito o dever de casa, ter plantado a floresta, a gente viu a fauna retornando por si”, ressalta o biólogo.

Ficha técnica

Reportagem: Marieta Cazarré
Produção: Patrícia Araújo
Reportagem cinematográfica: André Rodrigo Pacheco
Auxiliar Técnico: Rafael Calado
Edição de Texto: Flávia Lima e Marieta Cazarré
Edição e finalização de imagem: Rivaldo Martins

 

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Criado em 10/07/2025 - 17:45

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